Aborto quem quer?

23/07/2016

 

As vítimas do aborto

Murillo Leal

Bernardo Pires Küster é um jovem intelectual londrinense que vem se destacando por seu trabalho na luta contra um dos piores males do nosso tempo: o aborto. Graduado em Administração pela PUC Paraná, tendo cursado um ano de Política Internacional e Economia Empresarial na Unife, Itália, possui especialização em Gestão de Projetos pela FGV. Atua como professor, tradutor, ensaísta e realiza palestras e debates nas áreas de bioética, política, diálogo interreligioso e apologética cristã. A seguir, os principais trechos da entrevista que Bernardo concedeu à Avenida Paraná: 
Pergunta: Quem são as principais vítimas do aborto? 
Bernardo: Prática e objetivamente, por definição, estão envolvidas no mínimo duas partes: mãe e prole - não considerando o pai e o núcleo de pessoas próximas. Para o feto o procedimento é sempre — e reforço — sempre fatal. Até hoje conheço apenas um caso de uma criança que nasceu viva de um aborto. Todavia, apesar do total silêncio quanto aos efeitos colaterais psicofísicos do aborto em mulheres, há uma grande quantidade de estudos realizados principalmente a partir de 1960. Entre as mais funestas, documentadas pelo Dr. C. L. Morgan (1997) e pelo Dr. N. P. Mota (2010), está a elevada taxa de suicídio e abuso de drogas entre mães que se submetem ao aborto. Outro dado triste é que o procedimento aumenta consideravelmente a probabilidade de desenvolver câncer de mama. Foi o que alertou em 2013 o Colegiado Americano de Pediatras embasados em mais de 73 estudos. 
Pergunta: Quem são os maiores interessados em disseminar a prática do aborto? Em outras palavras: quem ganha com o aborto? 
Bernardo: Quem ganha não só financeira, mas política e socialmente, com aquilo que já podemos chamar de Cultura da Morte, como chamou o papa João Paulo II, são os agentes internacionais supracapitalistas representados pelas grandes fundações, as clínicas de aborto, os laboratórios que vendem e estudam tecidos de fetos abortados, os agentes políticos envolvidos com qualquer um desses outros interessados e, claro, os órgãos promotores desta prática: ONGs como a ANIS e IWHC (International Women's and Health Coalition). Fundações internacionais como Rockefeller, Ford e MacArthur têm, na base de suas motivações, o controle da população mundial e a estabilidade do poder no panorama global. Basta ler documentos primários como o Relatório Kissinger. Os outros agentes acabam, por fim, funcionando, dependendo da conjuntura, como catalisadores ou mesmo justificadores das ações daquelas fundações. 
Pergunta: A maioria absoluta dos brasileiros é contra o aborto. Como os militantes da causa tentam enganar essa maioria? 
Bernardo: Os números são como pessoas mortas, não falam por si mesmos e você tem o poder de fazê-los dizer algo que jamais disseram. Desta maneira, instituições como o Instituto Allan Guttmacher e o IPAS (International Pregnancy Advisory Services) inflam estatísticas oficiais do SUS, por exemplo, através de fatores multiplicadores sem qualquer vestígio de justificativa metodológica. O Dr. Elard Koch em 2012 publicou um artigo na Revista de Ginecologia e Obstetrícia do México criticando exatamente esta postura ideológica das estatísticas. Outro meio de engano é o falso benefício de liberdade e emancipação oferecido, como se o realizar um aborto fosse igual a retirar uma unha encravada ou mesmo aliviar um refluxo estomacal. Há também a falaciosa ideia de que isto é um problema de saúde pública. 
Pergunta: Quais os principais absurdos relacionados à indústria abortista que vieram à tona nos últimos tempos? 
Bernardo: Gostaria de ser específico. Há dois deles que chocaram o mundo, exceto o Brasil, ilhado de boas informações. O primeiro deles foi a venda de partes de fetos abortados realizada pela IPPF (Planned Parenthood, maior organização abortista do mundo). Isto foi noticiado nos grandes jornais do mundo, mas aqui isto passou rapidamente por alguns sites e sumiu. A segunda delas é algo absolutamente ilegal. Chama-se Aborto na Nuvem. Isto é um site brasileiro, subsidiado por órgãos internacionais, que oferece consultas on-line para mulheres que desejam abortar e enviam para a sua casa o Misoprostol (o conhecido Cytotec). Alguma providência jurídica tem de ser tomada! 
Pergunta: Qual é o papel da ideologia de gênero na estratégia de dominação da esquerda? 
Bernardo: A pergunta quase se responde. Basicamente ao cabo da sua vida Marx descobriu que havia compreendido errado aquilo que chamava de estrutura e superestrutura e Engels, então, finalizou suas ideias no pequeno, mas importante livro intitulado "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado" (1884). Ele, antes, advogava que a destruição da propriedade privada (estrutura) acabaria com as superestruturas, tais como família, igreja, escola, etc. Neste livro Engels inverte a leitura e percebe que a família é, de fato, a chave. Após ele, muitos outros teóricos trabalharam em cima desta ideia até dar a ela o corpo que hoje vemos encher a nossa cultura. Isso passa por Kate Millett, Shulamith Firestone, Kingsley Davis, Korsch, Max Horkeimer, Louis Althusser, Jacques Derrida, Michel Foucault e Herbert Marcuse. Quem uniu os elementos fundamentais foi a arquifeminista Judith Butler. 
Pergunta: Como evitar que nossos filhos sejam doutrinados pela ideologia do gênero e doutrinas semelhantes? 
Bernardo: A doutrinação inevitavelmente ocorrerá, contudo a postura da família, alvo primeiro da ideologia, tem um papel fundamental. A primeira coisa é que os pais e familiares terão de estudar para conhecer mais que aqueles que advogam esta causa a fim de verdadeiramente educá-los. Este é o segundo ponto. Educar e, literalmente, fiscalizar o aprendizado das crianças. Isso jamais será feito com qualidade sem estudo prévio. Terceiro, não podemos nos calar. Quando isto for promovido sem o consentimento dos pais, a atitude é tomar atitudes coletivas e jurídicas a fim de parar o avanço e jamais, repito, jamais manter-se em silêncio com seus filhos sobre isso, porque inevitavelmente alguém fará isso por você. 
Pergunta: Se você tivesse que convencer uma mulher a não abortar, o que diria a ela? 
Bernardo: Quando uma mulher está decidida em abortar inevitavelmente ela está pensando em si em primeiro lugar. Isso per si não é ruim. É normal. Perguntas em continuação virão em sua mente. Apresentaria a ela os enormes problemas e riscos de riscos de saúde mental e física que ela teria de assumir, como os que expliquei anteriormente. Mostraria vídeo de um procedimento com o fim de sensibilizá-la em relação à criança. Inquiriria quais são os problemas reais, não imaginários, que ela enfrentará e me disponibilizaria pessoalmente para ajudá-la. Caso isto não surta qualquer efeito, o que raramente acontece, iria convencê-la a dar sua criança para adoção, explicando o enorme ato de egoísmo que jaz em querer matar uma criança somente para que ninguém a crie ou para que ela não passe nove meses grávida. Faria de tudo para evitar. 
Fale com o colunista: avenidaparana @ folhadelondrina.com.br

por Paulo Briguet