Atenção:este é um blog pessoal e não oficial de testemunho e portanto todos os comentários e reflexões que não forem atribuídos a outras fontes, são somente opiniões pessoais e não podem traduzir a postura da pessoa, grupo, instituição, etc, aqui mencionados e promovidos. Com Imprimatur e Nihil Obstat desde 2005, a obra mística divina “A Verdadeira Vida em Deus” tem todas as mensagens, livros, documentos, testemunhos, orações, palestras, peregrinações, retiros, casas de caridade e toda informação idônea e completa no

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         Cântico dos Cânticos

A linguagem mística e divina do Amor

Uma sombra atravessou os meus pensamentos
e de novo pensei naqueles que, meu Senhor,
caluniam a Vossa Mensagem com frenesim,
particularmente a Vossa linguagem de Amor.


- Reza por esses e bendiz os teus perseguidores, para que também eles possam obter a Misericórdia, no dia do Juizo. A carne e o sangue alimentarão sempre o mal e terão mesmo prazer em fazer o mal. Essas mesmas almas não falam da Minha doçura nem da Minha Divindade, porque os seus espíritos não sabem distinguir a Minha Divina doçura dos desejos da sua própria carne e do seu próprio sangue.
Não, eles não vêem que há uma grande diferença. Quando Eu falo, Minha pomba, com estes Meus Lábios que são húmidos de graça, de santidade e de doçura, eles não compreendem as Minhas Palavras e não podem sondar a Minha pureza, na Minha Magnificência. Os seus corações são tão duros, que se lhes torna impossível sondar o brilho e a Divindade do Meu Coração. E é por este motivo que estes corações são eclipsados pela Minha Luz e tanto no seu corpo como nos seus mortais pensamentos, acusam-Me, dizendo que as Minhas Palavras são excessivas e sentimentais. São aqueles de quem Eu Mesmo digo: "são-Me estranhos e não Me conhecem..."

  1. AVVD   27 de setembro de 1997

Casamentos por amor são figura do matrimônio místico espiritual que é expresso com o Cântico dos Cânticos; os seres psíquicos que não têm o Espírito ficam na superficie da palavra e por aí vão de engano em engano racionalista e não conseguem acesso às águas profundas do amor divino e não entendem os tesouros enterrados nas metáforas deste Cântico que é um segredo da Mística Cristã e do Mistério da Fé...2016 anos de paciência e ainda não se entende...que pouca disposição tem Deus encontrado na humanidade...cegos guiando outros cegos acabarão caindo juntos no Abismo...

O Sacramento do Matrimônio é uma reconciliação entre o homem e a mulher e de ambos com Deus, para superar o que aconteceu no Éden...que tesouros místicos espirituais da fé há em tão grande Sacramento que também abençoa a procriação e formação de uma família santa. Este Sacramento é de uma elevação espiritual moral divina!

Mas ora vejam o que se passa no mundo sobre casamento...

Quanta brutalidade e ignorância!

Todos os Sacramentos da Igreja de Cristo são remédio para tudo que se passou no Éden, conforme tenho conseguido entender, tudo que Deus faz tem uma lógica que atende as necessidades de saúde temporais e espirituais...não é mesmo?

Quem despreza a Igreja de Cristo e os seus Santíssimos Sacramentos demonstra que ainda não teve a oportunidade de conhecer adequadamente porque do contrário, se conhecesse, se daria conta mais facilmente da Verade e se abriria ao milagre da conversão. Apesar de que os demônios sabendo rejeitaram a Verdade e odiaram a Deus.

Sem aceitação de nossa parte, boa vontade, e sem a graça de Deus não há conversão.

A conversão de uma alma é verdadeiramente um grandiosíssimo milagre...que não acontece sem nosso livre arbítrio.

A graça de Deus não priva da liberdade de escolha.

Nem a tentação priva da liberdade de escolha.

Quando alguém decide radicalmente não pecar, não há nada que a possa forçar a isso e se preciso for prefere todas as misérias e a morte que se torna premio...

Temos de parar um pouco e pensar nisso seriamente, profundamente...sinceramente.

 

João 6, 61-68

 

61. Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza?

62. Que será, quando virdes subir o Filho do Homem para onde ele estava antes?...63. O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida.

 

64. Mas há alguns entre vós que não crêem... Pois desde o princípio Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair.

 

65. Ele prosseguiu: Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido.

 

66. Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele.

 

67. Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos?

68. Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

Encontrei este esclarecedor artigo que apenas há em espanhol e que nos ajuda na compreensão de tudo que se alcance nesta página

DESPOSORIO ESPIRITUAL


Concepto. En la fenomenología mística se designa con esta fórmula, de uso habitual en los escritores espirituales y muy frecuente en las autobiografías de los santos, la «mutua promesa entre Dios y el alma de un futuro matrimonio místico». Al calar más hondo en la definición, un autor clásico, José del Espíritu Santo, precisa: «el Desposorio Místico es una íntima comunicación de Dios al alma, perfectamente purificada, disponiéndola de inmediato para el matrimonio místico» (Cursus, IV, Brujas 1931, 187).
     
      El problema puede consistir en quedarse en la superficie del término por carecer de preparación para ahondar en su contenido. Pero también los místicos experimentales tropezaban, por camino inverso, con la dificultad de expresar en lenguaje humano el fenómeno. La cuestión del «lenguaje de los místicos» ha atormentado no sólo a los teólogos (atentos a la ortodoxia de las fórmulas doctrinales), sino también a los creadores y usufructuadores de la literatura espiritual. Los místicos (admitía J. Ortega y Gasset) son formidables artistas de la palabra. En efecto, en la fragua, siempre encendida, del alma, forjan un lenguaje propio de altísimos quilates. La metáfora, la expresión feliz, el rodeo alegórico, tienen un valor literario indiscutible. Y, con todo, los místicos se muestran insatisfechos de su expresión, porque la materia que tratan es inefable (y, por tanto, indecible) y lo que dicen, lo dicen con analogías. Pues bien; una es ésta del d. e. S. Teresa la califica de «grosera comparación», pero añade: «yo no hallo otra que más pueda dar a entender lo que pretendo» (Moradas, V,4,3). En realidad, el origen de este lenguaje del místico desposorio arranca de la cantera bíblica. El Cantar de los Cantares (v.) será siempre el libro preferido de los místicos, la fuente de su inspiración. El mismo S. Pablo emplea la analogía nupcial hablando del amor de Cristo a la Iglesia (cfr. 1 Cor 7,20; 2 Cor 11,2; Eph 5,23).
           (...)

obs: a continuação desde artigo está no final desta página ou no link abaixo

ÁLVARO HUERGA.

Cortesía de Editorial Rialp. Gran Enciclopedia Rialp, 1991

http://www.mercaba.org/Rialp/D/desposorio_espiritual.htm

 

 

A AMADA

6 Grava-me

como um selo em teu coração,

como um selo em teu braço;

pois o amor é forte , é como a morte!

Cruel como o abismo é a paixão;

suas chamas são chamas de fogo

uma faísca de Yahweh!

7 As águas da torrente jamais poderão   

apagar o amor,

nem os rios afogá-lo.

Quisesse alguém dar tudo o que tem

para comprar o amor...

Seria tratado com desprezo.

Ct 8, 6-7

"o Rei veio a mim, na minha pobreza e indignidade e cobriu-me com seu amor e a suas riquezas..."

Hino de Amor

46.
E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,

47.
meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,

48.
porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,

49.
porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.

50.
Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.

51.
Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.

52.
Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.

53.
Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.

54.
Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,

55.
conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.
São Lucas, 1, 46-55

As Mensagens de Deus em "A Verdadeira Vida em Deus" são mensagens do amor divino expressas em termos divinos na mística do Cântico dos Cânticos, é maravilhoso.

 

True Life in God 

(em port. A Verdadeira Vida em Deus)

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Mensagens de "A Verdadeira Vida em Deus" selecionadas a partir da palavra-chave "esposa"

Os páginas estão listadas em ordem decrescente de número de palavras encontradas

 
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  • ... Não te enchi Eu, Minha esposa, de sãs palavras, para ...
  • ... um hino ... Revelar-te-ei, Minha esposa, o que a carne e o sangue jamais ...
  • ... que Eu te disse... E agora, Minha esposa, desposada e revestida de Cristo, ...
  • ... estou contigo. Frágil esposa do Altíssimo e do Pai de todos e ...
  • ... para este desígnio, tu és a Minha esposa, que pertence agora à Minha Gente ...
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10 matches
  • ... será digna do celeste dote de uma esposa, pois permaneceu fiel à Esposa 1 ...
  • ... fiel à Esposa 1 . Esta alma, apesar de todas as ...
  • ... Permanecendo assim agarrada à Esposa 2 e a Mim, o Esposo 3 , ela ...
  • ... um esposo que se deleita na sua esposa, nos nossos esponsais, murmurarei ...
  • ... protector e o teu apoio; Minha esposa amorosa, que consentiu em Me ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm1064.html
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  • ... teu Rei inclinar-Se-á sobre a Sua esposa e lhe pegará gentilmente na ...
  • ... Senhor. E agora, Eu digo a Minha esposa: "bem-amada, não tenhas medo; tu ...
  • ... te esperou?" Amoroso com a Minha esposa, Eu contemplo o dom de Minhas ...
  • ... ergue-te, porta gloriosa, que a esposa entre! O Rei de Glória, o ...
  • ... o seu Bem--Amado, aguarda a Sua esposa". Tendo, pois, transposto o ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm1086.html
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  • ... uma preparação habitual da futura esposa. Cada futura esposa deve, durante ...
  • ... Cada futura esposa deve, durante um certo tempo, ser ...
  • ... Divino, Ele junta-Se a Sua futura esposa, convida-a ao Seu Abraço e diz. ...
  • ... Vós derramais sobre a Vossa esposa, rejubilando, ao dá-las, e como ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm1087.html
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  • ... e, como um esposo que enche a sua esposa de jóias, Eu ofereço-vos, para ...
  • ... ser-te-á então ensinado, Minha esposa, pela Santa Sabedoria, para te ...
  • ... dos outros. E agora, Minha esposa, Eu vou dar-me inteiramente a ti ...
  • ... recusado o Meu convite 19 . Minha esposa, Minha mirra e Meu aloés, repousa ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm1088.html
4 matches
  • ... Senhor será reconhecida como uma esposa virgem" 5 , depois de ela mesma ...
  • ... um Esposo que Se deleita na Sua esposa, tudo farei para que lhe não ...
  • ... como um Esposo que ama a Sua esposa, Eu exprimirei o Meu Divino Amor, ...
  • ... Meu Divino Amor, ornando a Minha esposa com as mais ricas jóias que se ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm1078.html
4 matches
  • ... A MINHA ESPOSA 8.1.1987 - A Paz esteja contigo, ...
  • ... - Amo-te como és... Sê a Minha Esposa, Vassula. - E como poderei eu ...
  • ... - Não sei como ser a Vossa Esposa, Jesus! - Ensinar-te-ei a ser a ...
  • ... - Ensinar-te-ei a ser a Minha Esposa bem-amada. - Terei um sinal ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm19.html
4 matches
  • ... porque te pedi para seres a Minha esposa ? - Sim, Senhor... - Mas tu ...
  • ... não sou digna de ser a Vossa esposa. Mas como!? Como pude eu aceitar ...
  • ... Vem, ajudar-te-ei, serás Minha esposa, uma esposa que deve ser formada. ...
  • ... uma esposa que deve ser formada. Aceitei-te ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm21.html
4 matches
  • ... tinha resolvido ter-te como Minha esposa, a fim de que Me sigas. Fiz de ti ...
  • ... de que Me sigas. Fiz de ti Minha esposa e coloquei a Minha Lâmpada 3 em ...
  • ... aquilo que Eu te ofereço. Minha esposa, não tenhas medo, se em cada ...
  • ... mim. - Muito bem! Então, Minha esposa, Eu escolherei a segunda semente. ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm960.html
4 matches
  • ... como um esposo leva a sua esposa para atravessar o limiar 1 ; ...
  • ... como um esposo que adorna a sua esposa de jóias, também Ele as adornará ...
  • ... Meu Espírito Santo é o Esposo da Esposa, d'Aquela que teve no Seu seio o ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm753.html
3 matches
  • ... Eu vim a ti com mansidão, Minha esposa, para o renovamento do Corpo ...
  • ... aspira a estar só com a sua esposa, depois da boda. E Eu ofereço-te ...
  • ... como o esposo rejubila com a sua esposa, assim Eu rejubilarei contigo e ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm1015a.html
3 matches
  • ... um esposo que ornamenta a sua esposa, coroou-me com uma coroa que ...
  • ... que nunca murchará; como uma esposa ornada de jóias, eu mesmo fui ...
  • ... como o esposo rejubila com a sua esposa, assim o teu Deus e o teu Tudo Se ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm1031.html
3 matches
  • ... Contudo, o Esposo diz à Sua esposa: profetiza em paz e permite ao ...
  • ... o bom caminho. Vassula, Minha esposa, a caminhada não terminou ainda. ...
  • ... em quando, Eu Mesmo quero a Minha esposa perto, sob o Meu ditado. Trabalha ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm729.html
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  • ... ESPOSO NÃO DESPREZARÁ NUNCA A SUA ESPOSA 18 de Junho de 1993 Filipinas, ...
  • ... Considera-te Minha e Minha esposa. O Esposo não desprezará nunca a ...
  • ... Esposo não desprezará nunca a Sua esposa. Eu prover-te-ei sempre e sempre ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm810.html
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  • ... teu Esposo, fazendo-te Minha Esposa, para partilhar a Minha Cruz como ...
  • ... Coração... Minha filha, e Minha esposa, olha para o Coração do teu ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm624.html
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  • ... vou prestar-te homenagem, Minha esposa, ungindo de novo com óleo a tua ...
  • ... também como a Minha mais preciosa esposa; cultivada pela Minha Palavra, ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm1009.html
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  • ... sede de Mim. Eu mostrei-te, Minha esposa, como um esposo recém-casado, ...
  • ... da sua tenda para se juntar à sua esposa, Eu Mesmo saí para unir o Meu ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm1015b.html
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  • ... e desprezou-Me; a Minha Própria Esposa... fica nua, e não mostra ...
  • ... Doçura. "Como é possível, Minha Esposa, que Me vires as costas, ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm1035.html
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  • ... como um esposo cumula a sua esposa que capturou o seu coração. E ...
  • ... o Meu Amor por ti, Minha esposa, envolvendo-te inteiramente nos ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm1081.html
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  • ... ao pé de Mim. Tu, que és a Minha esposa, compreende aquilo que te ...
  • ... o Meu Coração e o Meu Amor. Esposa Minha, ofereço-te tudo aquilo que ...
http://www.tlig.org/pgmsg/pgm466.html
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CARTA ENCÍCLICA
AD CAELI REGINAM
DO SUMO PONTÍFICE
PAPA PIO XII
AOS VENERÁVEIS IRMÃOS
PATRIARCAS, PRIMAZES,
ARCEBISPOS E BISPOS
E OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR 
EM PAZ E COMUNHÃO
COM A SÉ APOSTÓLICA

SOBRE A REALEZA DE MARIA 
E A INSTITUIÇÃO DA SUA FESTA

 

INTRODUÇÃO

1. Desde os primeiros séculos da Igreja católica, elevou o povo cristão orações e cânticos de louvor e de devoção à Rainha do céu tanto nos momentos de alegria, como sobretudo quando se via ameaçado por graves perigos; e nunca foi frustrada a esperança posta na Mãe do Rei divino, Jesus Cristo, nem se enfraqueceu a fé, que nos ensina reinar com materno coração no universo inteiro a Virgem Maria, Mãe de Deus, assim como está coroada de glória na bem-aventurança celeste.

2. Ora, depois das grandes calamidades que, mesmo à nossa vista, destruíram horrivelmente florescentes cidades, vilas e aldeias; diante do doloroso espetáculo de tantos e tão grandes males morais, que transbordam em temeroso aluvião; quando vacila às vezes a justiça e triunfa com freqüência a corrupção; neste incerto e temeroso estado de coisas, sentimos nós a maior dor; mas ao mesmo tempo recorremos confiantes à nossa rainha, Maria santíssima, e patenteamos-lhe não só os nossos devotos sentimentos mas também os de todos os fiéis cristãos.

3. É grato e útil recordar que nós próprios – no dia 1° de novembro do ano santo de 1950, diante de grande multidão formada de cardeais, bispos, sacerdotes e simples cristãos, vindos de toda a parte do mundo – definimos o dogma da assunção da bem-aventurada virgem Maria ao céu(1), a qual presente em alma e corpo, reina entre os coros dos anjos e santos, juntamente com o seu unigênito Filho. Além disso – ocorrendo o primeiro centenário da definição dogmática do nosso predecessor de imortal memória Pio IX, que proclamou ter sido a Mãe de Deus concebida sem qualquer mancha do pecado original – promulgamos,(2) com grande alegria do nosso coração paterno, o presente ano mariano; e vemos com satisfação que não só nesta augusta cidade – especialmente na Basílica Liberiana, onde inumeráveis multidões vão testemunhando bem claramente a sua fé e ardente amor a Mãe do céu – mas em todas as partes do mundo a devoção à virgem Mãe de Deus refloresce cada vez mais, ocorrendo grandes peregrinações aos principais santuários de Maria.

4. Todos sabem que nós, na medida do possível – quando em audiências falamos aos nossos filhos, ou quando, por meio das ondas radiofônicas, dirigimos mensagens ao longe – não deixamos de recomendar, a quantos nos ouviam que amassem, com amor terno e filial, tão boa e poderosa Mãe. A esse propósito, recordamos em especial a radiomensagem que endereçamos ao povo português, por motivo da coroação da prodigiosa imagem de nossa Senhora de Fátima (3), que chamamos radiomensagem da "realeza" de Maria.(4)

5. Portanto, como coroamento de tantos testemunhos deste nosso amor filial, a que o povo cristão correspondeu com tanto ardor, para encerrar com alegria e fruto o ano mariano que se aproxima do fim, e para satisfazer aos insistentes pedidos, que nos chegaram de toda a parte, resolvemos instituir a festa litúrgica da bem-aventurada rainha virgem Maria.

6. Não é verdade nova que propomos à crença do povo cristão, porque o fundamento e as razões da dignidade régia de Maria encontram-se bem expressos em todas as idades, e constam dos documentos antigos da Igreja e dos livros da sagrada liturgia.

7. Queremos recordá-los na presente encíclica, para renovar os louvores da nossa Mãe do céu e avivar proveitosamente na alma de todos a devoção para com ela.

 


A REALEZA DE MARIA NOS TEXTOS DA TRADIÇÃO... 

8. Com razão acreditou sempre o povo fiel, já nos séculos passados, que a mulher, de quem nasceu o Filho do Altíssimo – o qual "reinará eternamente na casa de Jacó"(5), (será) "Príncipe da Paz"(6) , "Rei dos Reis e Senhor dos senhores"(7)-, recebeu mais que todas as outras criaturas singulares privilégios de graça. E considerando que há estreita relação entre uma mãe e o seu filho, sem dificuldade reconheceu na Mãe de Deus a dignidade real sobre todas as coisas.

9. Assim, baseando-se nas palavras do arcanjo Gabriel, que predisse o reino eterno do Filho de Maria,(8) e nas de Isabel, que se inclinou diante dela e a saudou como "Mãe do meu Senhor",(9) compreende-se que já os antigos escritores eclesiásticos chamassem a Maria "mãe do Rei" e "Mãe do Senhor", dando claramente a entender que da realeza do Filho derivara para a Mãe certa elevação e preeminência.

10. Santo Efrém, com grande inspiração poética, põe estas palavras na boca de Maria: "Erga-me o firmamento nos seus braços, porque eu estou mais honrada do que ele. O céu não foi tua mãe, e fizeste dele teu trono. Ora, quanto mais se deve honrar e venerar a mãe do Rei, do que o seu trono!"(10) Em outro passo, assim invoca a Maria santíssima: "...Virgem augusta e protetora, rainha e senhora, protege-me à tua sombra, guarda-me, para que Satanás, que semeia ruínas, não me ataque, nem triunfe de mim o iníquo adversário".(11)

11. A Maria chama s. Gregório Nazianzeno "Mãe do Rei de todo o universo", "Mãe virgem, [que] deu à luz o Rei do todo o mundo".(12) Prudêncio diz que a Mãe se maravilha "de ter gerado a Deus não só como homem mas também como sumo rei".(13)

12. E afirmam claramente a dignidade real de Maria aqueles que a chamam "senhora", "dominadora" e "rainha".

13. Já numa homilia atribuída a Orígenes, Maria é chamada por Isabel não só "Mãe do meu Senhor" mas também "Tu, minha Senhora".(14)

14. O mesmo conceito se pode deduzir dum texto de s. Jerônimo, que expõe o próprio parecer acerca das várias interpretações do nome de Maria: "Saiba-se que Maria, na língua siríaca, significa Senhora".(15) Igualmente e com mais decisão, se exprime depois s. Pedro Crisólogo: "O nome hebraico Maria traduz-se por "Domina" em latim: "portanto o anjo chama-lhe Senhora para livrar do temor de escrava a mãe do Dominador, a qual nasce e se chama Senhora pelo poder do Filho".(16)

15. Santo Epifânio, bispo de Constantinopla, escreve ao papa Hormisdas pedindo a conservação da unidade da Igreja "mediante a graça da Trindade una e santa e por intercessão de nossa Senhora, a santa e gloriosa virgem Maria, Mãe de Deus".(17)

16. Um autor do mesmo tempo dirige-se a Maria santíssima, sentada à direita de Deus, invocando-a solenemente como "Senhora dos mortais, santíssima Mãe de Deus".(18)

17. Santo André Cretense atribui muitas vezes a dignidade real à virgem Maria; escreve, por exemplo: "Leva [Jesus Cristo] neste dia da morada terrestre [para o céu], como rainha do gênero humano, a sua Mãe sempre virgem, em cujo seio, permanecendo Deus, tomou a carne humana".(19) E noutro lugar: "Rainha de todo o gênero humano, porque, fiel à significação do seu nome, se encontra acima de tudo quanto não é Deus".(20)

18. Do mesmo modo se dirige s. Germano à humildade da Virgem: "Senta-te, ó Senhora; sendo tu Rainha e mais eminente que todos os reis, pertence-te estar sentada no lugar mais nobre"(21); e chama-lhe: "Senhora de todos aqueles que habitam a terra".(22)

19. São João Damasceno proclama-a "rainha, protetora e senhora"(23) e também: "senhora de todas as criaturas"(24); e um antigo escritor da Igreja ocidental chama-lhe: "ditosa rainha", "rainha eterna junto do Filho Rei", e diz que ela tem a "nívea cabeça ornada com um diadema de ouro".(25)

20. Finalmente, s. Ildefonso de Toledo resume-lhe quase todos os títulos de honra nesta saudação: "Ó minha senhora, minha dominadora: tu dominas em mim, ó mãe do meu Senhor... Senhora entre as escravas, rainha entre as irmãs".(26)

21. Recolhendo a lição desses e outros inumeráveis testemunhos antigos, chamaram os teólogos a santíssima Virgem, rainha de todas as coisas criadas, rainha do mundo e senhora do universo.

22. Por sua vez, os sumos pastores da Igreja julgavam obrigação sua aprovar e promover a devoção à celeste Mãe e Rainha com exortação e louvores. Pondo de parte os documentos dos papas recentes, recordamos que já no século VII o nosso predecessor s. Martinho I chamou a Maria "gloriosa Senhora nossa, sempre virgem";(27) s. Agatão, na carta sinodal enviada aos padres do sexto concílio ecumênico, chamou-a "Senhora nossa, verdadeiramente e com propriedade Mãe de Deus";(28) e no século VIII, Gregório II, em carta ao patriarca s. Germano, que foi lida entre as aclamações dos padres do sétimo concílio ecumênico, proclamava Maria "Senhora de todos e verdadeira Mãe de Deus" e "Senhora de todos os cristãos".(29)

23. Apraz-nos recordar também que o nosso predecessor de imortal memória Sixto IV, querendo favorecer a doutrina da imaculada conceição da santíssima Virgem, começa a carta apostólica Cum praeexcelsa (30) chamando precisamente a Maria "rainha sempre vigilante, a interceder junto ao Rei, que ela gerou". Do mesmo modo Bento XIV, na carta apostólica Gloriosae Dominae (31), chama a Maria "rainha do céu e da terra", afirmando que o sumo Rei lhe contou, em certo modo, o seu próprio império. 

24. Por isso, s. Afonso de Ligório, tendo presente todos os testemunhos dos séculos precedentes, pôde escrever com a maior devoção: "Porque a virgem Maria foi elevada até ser Mãe do Rei dos reis, com justa razão a distingue a Igreja com o título de Rainha".(32)

 

II 
NA LITURGIA E NA ARTE

25. A sagrada liturgia, espelho fel da doutrina transmitida pelos santos padres e da crença do povo cristão, cantou por todo o decurso dos séculos e canta ainda sem cessar, tanto no oriente como no ocidente, as glórias da celestial Rainha.

26. Vozes entusiásticas ressoam do oriente: "Ó Mãe de Deus, hoje és transferida para o céu sobre os carros dos querubins, os serafins estão às tuas ordens, e os exércitos da milícia celeste prostram-se diante de ti".(33)

27. E mais ainda: "Ó justo, felicíssimo [José], pela tua origem real foste escolhido entre todos para esposo da Rainha imaculada, que dará à luz de modo inefável a Jesus Rei".(34) E depois: "Vou elevar um hino à rainha e Mãe de quem, ao celebrar, me aproximarei com alegria, para cantar com exultação alegremente as suas glórias... Ó Senhora, nossa língua não te pode louvar dignamente, porque tu, que deste à luz a Cristo nosso Rei, foste exaltada acima dos serafins... Salve, rainha do mundo, salve, ó Maria, senhora de todos nós".(35)

28. Lê-se no Missal etíope: "Ó Maria, centro do mundo todo,... Tu és maior que os querubins de olhar penetrante, e que os serafins de seis asas... O céu e a terra estão cheios da santidade da tua glória".(36)

29. O mesmo canta a liturgia da Igreja latina com a antiga e dulcíssima oração "Salve, rainha", as alegres antífonas "Ave, ó rainha dos céus", "Rainha do céu, alegrai-vos, aleluia", e outras que se costumam rezar em várias festas de nossa Senhora: "Colocou-se como rainha à tua direita, com vestido dourado e circundada de vários ornamentos"(37); "A terra e o povo cantam o teu poder, ó rainha"(38); "Hoje a virgem Maria sobe ao céu: alegrai-vos, porque reina com Cristo para sempre".(39)

30. A esse e outros cânticos devem juntar-se as Ladainhas lauretanas, que levam o povo cristão a invocar todos os dias nossa Senhora como rainha; e no santo rosário, que se pode chamar coroa mística da celeste rainha, já há muitos séculos os fiéis contemplam, do quinto mistério glorioso, o reino de Maria, que abraça o céu e a terra. 

31. Finalmente a arte cristã, intérprete natural da espontânea e pura devoção do povo, desde o concílio de Éfeso que representa Maria como rainha e imperatriz, sentada num trono e adornada com as insígnias reais, de coroa na cabeça, rodeada da corte dos anjos e santos, como quem domina não só as forças da natureza, mas também os malignos assaltos de Satanás. A iconografia da virgem Maria como rainha enriqueceu-se em todos os séculos com obras de arte de alto mérito, chegando até a figurar o divino Redentor no ato de cingir com brilhante coroa a cabeça da própria Mãe.

32. Os pontífices romanos não deixaram de favorecer esta devoção coroando pessoalmente ou por meio de legados as imagens da virgem Mãe de Deus, que eram objeto de especial veneração.

 

III
OS ARGUMENTOS TEOLÓGICOS 

A maternidade divina de Maria

33. Como acima apontamos, veneráveis irmãos, segundo a tradição e a sagrada liturgia, o principal argumento em que se funda a dignidade régia de Maria é sem dúvida a maternidade divina. Na verdade, do Filho que será dado à luz pela Virgem, afirma-se na Sagrada Escritura: "chamar-se-á Filho do Altíssimo e o Senhor Deus dar-lhe-á o trono de Davi, seu pai; reinará na casa de Jacó eternamente, e o seu reino não terá fim"(40); ao mesmo tempo que Maria é proclamada "a Mãe do Senhor".(41) Daqui se segue logicamente que Maria é rainha, por ter dado a vida a um Filho, que no próprio instante da sua concepção, mesmo como homem, era rei e senhor de todas as coisas, pela união hipostática da natureza humana com o Verbo. Por isso muito bem escreveu s. João Damasceno: "Tornou-se verdadeiramente senhora de toda a criação, no momento em que se tornou Mãe do Criador".(42) E assim o arcanjo Gabriel pode ser chamado o primeiro arauto da dignidade real de Maria.

34. Contudo, nossa Senhora deve proclamar-se Rainha, não só pela sua maternidade divina, mas ainda pela parte singular que Deus queria ter na obra da salvação. "Que pode haver – escrevia nosso predecessor de feliz memória, Pio XI mais doce e suave do que pensar que Cristo é nosso Rei, não só por direito de natureza, mas ainda por direito adquirido, isto é, pela redenção? Repensem todos os homens, esquecidos do quanto custamos ao nosso Redentor e recordem todos: 'Não fostes remidos com ouro ou prata, bens corruptíveis..., mas pelo precioso sangue de Cristo, cordeiro imaculado e incontaminado'.(43) 'Não pertencemos portanto a nós mesmos, pois Cristo 'a alto preço',(44) 'nos comprou'.(45)

Sua cooperação na redenção

35. Ora, ao realizar-se a obra da redenção, Maria santíssima foi intimamente associada a Cristo, e por isso justamente se canta na sagrada liturgia: "Santa Maria, rainha do céu e senhora do mundo, estava traspassada de dor, ao pé da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo".(46) E um piedosíssimo discípulo de s. Anselmo podia escrever na Idade Média: "Como... Deus, criando todas as coisas pelo seu poder, é Pai e Senhor de tudo, assim Maria, reparando todas as coisas com os seus méritos, é mãe e senhora de tudo: Deus é senhor de todas as coisas, constituindo cada uma delas na sua própria natureza pela voz do seu poder, e Maria é Senhora de todas as coisas, reconstituindo-as na sua dignidade primitiva pela graça, que lhes mereceu".(47) De fato "como Cristo, pelo título particular da redenção, é nosso senhor e nosso rei, assim a bem-aventurada Virgem [é senhora nossa] pelo singular concurso, prestado à nossa redenção, subministrando a sua substância e oferecendo voluntariamente por nós o Filho Jesus, desejando, pedindo e procurando de modo singular a nossa salvação".(48)

36. Dessas premissas se pode argumentar: Se Maria, na obra da salvação espiritual, foi associada por vontade de Deus a Jesus Cristo, princípio de salvação, e o foi quase como Eva foi associada a Adão, princípio de morte, podendo-se afirmar que a nossa redenção se realizou segundo uma certa "recapitulação",(49) pela qual o gênero humano, sujeito à morte por causa duma virgem, salva-se também por meio duma virgem; se, além disso, pode-se dizer igualmente que esta gloriosíssima Senhora foi escolhida para Mãe de Cristo "para lhe ser associada na redenção do gênero humano",(50) e se realmente "foi ela que – isenta de qualquer culpa pessoal ou hereditária, e sempre estreitamente unida a seu Filho – o ofereceu no Gólgota ao eterno Pai, sacrificando juntamente, qual nova Eva, os direitos e o amor de mãe em benefício de toda a posteridade de Adão, manchada pela sua desventurada queda"(51) poder-se-á legitimamente concluir que, assim como Cristo, o novo Adão, deve-se chamar rei não só porque é Filho de Deus mas também porque é nosso redentor, assim, segundo certa analogia, pode-se afirmar também que a bem-aventurada virgem Maria é rainha, não só porque é Mãe de Deus mas ainda porque, como nova Eva, foi associada ao novo Adão.

Sua sublime dignidade

37. E certo que no sentido pleno, próprio e absoluto, somente Jesus Cristo, Deus e homem, é rei; mas também Maria – de maneira limitada e analógica, como Mãe de Cristo-Deus e como associada à obra do divino Redentor, à sua luta contra os inimigos e ao triunfo deles obtido participa da dignidade real. De fato, dessa união com Cristo-Rei deriva para ela tão esplendente sublimidade, que supera a excelência de todas as coisas criadas: dessa mesma união com Cristo nasce aquele poder real, pelo qual ela pode dispensar os tesouros do reino do Redentor divino; finalmente, da mesma união com Cristo se origina a inexaurível eficácia da sua intercessão junto do Filho e do Pai.

38. Portanto, não há dúvida alguma que Maria santíssima se avantaja em dignidade a todas as coisas criadas e tem sobre todas o primado, a seguir ao seu Filho. "Tu finalmente, canta s. Sofrônio, superaste em muito todas as criaturas... Que poderá existir mais sublime que tal alegria, ó Virgem Mãe? Que pode existir mais elevado que tal graça, a qual por divina vontade só tu tiveste em sorte?"(52) "A esses louvores acrescenta s. Germano: "A tua honra e dignidade colocam-te acima de toda a criação: a tua sublimidade faz-te superior aos anjos".(53) João Damasceno chega a escrever o seguinte: "É infinita a diferença entre os servos de Deus e a sua Mãe".(54)

39. Para melhor compreendermos a sublime dignidade, que a Mãe de Deus atingiu acima de todas as criaturas, podemos considerar que a santíssima Virgem, desde o primeiro instante da sua conceição, foi enriquecida de tal abundância de graças, que supera a graça de todos os santos. Por isso, como escreveu na carta apostólica Ineffabilis Deus o nosso predecessor, de feliz memória, Pio IX, Deus "fez a maravilha de a enriquecer, acima de todos os anjos e santos, de tal abundância de todas as graças celestiais hauridas dos tesouros da divindade, que ela – imune de toda a mancha do pecado, e toda bela apresenta tal plenitude de inocência e santidade, que não se pode conceber maior abaixo de Deus, nem ninguém a pode compreender plenamente senão Deus".(55)

Com Cristo, ela reina nas mentes e vontades dos homens 

40. Nem a bem-aventurada virgem Maria teve apenas, ao seguir a Cristo, o supremo grau de excelência e perfeição, mas também participou ainda daquela eficácia pela qual justamente se afirma que o seu divino Filho e nosso Redentor reina na mente e na vontade dos homens. Se, de fato, o Verbo de Deus opera milagres e infunde a graça por meio da humanidade que assumiu – e se utiliza dos sacramentos e dos seus santos, como instrumentos, para salvar as almas; por que não há de servir-se do múnus e ação de sua Mãe santíssima para nos distribuir os frutos da redenção? "Com ânimo verdadeiramente materno para conosco – como diz o mesmo predecessor nosso, de feliz memória, Pio IX – e ocupando-se da nossa salvação, ela, que pelo Senhor foi constituída rainha do céu e da terra, toma cuidado de todo o gênero humano, e – tendo sido exaltada sobre todos os coros dos anjos e as hierarquias dos santos do céu, e estando à direita do seu unigênito Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor – com as suas súplicas maternas impetra com eficácia, obtém quanto pede, nem pode deixar de ser ouvida".(56) A esse propósito, outro nosso predecessor, de feliz memória, Leão XIII, declarou que foi concedido à bem-aventurada virgem Maria um poder "quase ilimitado"(57) na distribuição das graças; s. Pio X acrescenta que Maria desempenha esta missão "como por direito materno".(58)

Duplo erro a ser evitado

41. Gloriem-se, portanto, todos os féis cristãos de estar submetidos ao império da virgem Mãe de Deus, que tem poder régio e se abrasa de amor materno.

42. Porém, nessas e noutras questões que dizem respeito à bem-aventurada virgem Maria, procurem os teólogos e pregadores evitar certos desvios, para não caírem em duplo erro: acautelem-se de opiniões sem fundamento e que ultrapassam com exageros os limites da verdade; e evitem, por outro lado, a excessiva estreiteza ao considerarem a singular, sublime, e mesmo quase divina dignidade da Mãe de Deus, que o doutor angélico nos ensina a atribuir-lhe "em razão do bem infinito, que é Deus".(59)

43. Mas, nesse, como em todos os outros capítulos da doutrina cristã, "a norma próxima e universal" é para todos o magistério vivo da Igreja, instituído por Cristo "também para esclarecer e explicar aquelas coisas que só de modo obscuro e como que implícito estão contidas no depósito da fé".(6)

 

IV 
A FESTA DE MARIA RAINHA

44. Dos testemunhos da antiguidade cristã, das orações da liturgia, da inata devoção do povo cristão, das obras artísticas, de toda a parte recolhemos expressões que nos mostram que a virgem Mãe de Deus se distingue pela sua dignidade real; mostramos também que as razões, deduzidas pela sagrada teologia do tesouro da fé divina, confirmam plenamente essa verdade. De tantos testemunhos referidos forma-se uma espécie de concerto harmonioso que exalta a incomparável dignidade real da Mãe de Deus e dos homens, a qual domina todas as coisas criadas e foi elevada aos reinos celestes, acima dos coros dos anjos".(61)

45. Depois de atentas e ponderadas reflexões, tendo chegado à convicção de que seriam grandes as vantagens para a Igreja, se essa verdade solidamente demonstrada resplandecesse com maior evidência diante de todos como luz que brilha mais, quando posta no candelabro, – com a nossa autoridade apostólica decretamos e instituímos a festa de Maria rainha, para ser celebrada cada ano em todo o mundo no dia 31 de maio. Ordenamos igualmente que no mesmo dia se renove a consagração do gênero humano ao seu coração imaculado. Tudo isso nos incute grande esperança de que há de surgir nova era, iluminada pela paz cristã e pelo triunfo da religião.

Exortação à devoção mariana

46. Procurem pois todos, e agora com mais confiança, aproximar-se do trono da misericórdia e da graça, para pedir à nossa Rainha e Mãe socorro na adversidade, luz nas trevas, conforto na dor e no pranto; e, o que é mais, esforcem-se por se libertar da escravidão do pecado, e prestem ao cetro régio de tão poderosa Mãe a homenagem duradoura da devoção dial. Freqüentem as multidões de fiéis os seus templos e celebrem-lhe as festas; ande nas mãos de todos a piedosa coroa do terço; e reúna a recitação dele – nas igrejas, nas casas, nos hospitais e nas prisões – ora pequenos grupos, ora grandes assembléias, para cantarem as glórias de Maria. Honra-se o mais possível o seu nome, mais doce do que o néctar e mais valioso que toda a pedra preciosa; ninguém ouse o que seria prova de alma vil – pronunciar ímpias blasfêmias contra este nome santíssimo, ornado de tanta majestade e venerável pelo carinho próprio de mãe; nem se atreva ninguém a dizer nada que seja irreverente.

47. Com vivo e diligente cuidado todos se esforcem por copiar nos sentimentos e nos atos, segundo a própria condição, as altas virtudes da Rainha do céu e nossa Mãe amantíssima. Donde resultará que os féis, venerando e imitando tão grande Rainha e Mãe, virão se sentir verdadeiros irmãos entre si, desprezarão a inveja e a cobiça das riquezas, e hão de promover a caridade social, respeitar os direitos dos fracos e fomentar a paz. Nem presuma alguém ser filho de Maria, digno de se acolher à sua poderosíssima proteção, se à exemplo dela não é justo, manso e casto, e não mostra verdadeira fraternidade, evitando ferir e prejudicar, e procurando socorrer e dar ânimo.

A Igreja do silêncio

48. Em algumas regiões da terra, não falta quem seja injustamente perseguido por causa do nome cristão e se veja privado dos direitos divinos e humanos da liberdade. Para afastar tais males, nada conseguiram até hoje justificados pedidos e reiterados protestos. A esses filhos inocentes e atormentados volva os seus olhos de misericórdia, cuja luz dissipa nuvens e serena tempestades, a poderosa Senhora dos acontecimentos e dos tempos, que sabe vencer a maldade com o seu pé virginal. Conceda-lhes poderem em breve gozar a devida liberdade e cumprir publicamente os deveres religiosos. E, servindo a causa do Evangelho – com o seu esforço concorde e egrégias virtudes, de que no meio de tantas dificuldades dão exemplo – concorram para o fortalecimento e progresso das sociedades terrestres.

Maria, Rainha e Medianeira da paz

49. A festa – instituída pela presente carta encíclica, a fim de que todos reconheçam mais claramente e melhor honrem o clemente e materno império da Mãe de Deus pensamos que poderá contribuir para que se conserve, consolide e torne perene a paz dos povos, ameaçada quase todos os dias por acontecimentos que enchem de ansiedade. Não é ela acaso o arco-íris que se eleva para Deus, como sinal de pacífica aliança?(62) "Contempla o arco-íris e bendize aquele que o fez; é muito belo no seu esplendor; abraça o céu na sua órbita radiosa, e foram as mãos do Altíssimo que o traçaram".(63) Todo aquele que honra a Senhora dos anjos e dos homens – e ninguém se julgue isento deste tributo de reconhecimento e amor – invoque esta rainha, medianeira da paz; respeite e defenda a paz, que não é maldade impune nem liberdade desenfreada, mas concórdia bem ordenada sob o signo e comando da divina vontade: tendem a protegê-la e aumentá-la as maternas exortações e ordens de Maria.

50. Desejando ardentemente que a Rainha e Mãe do povo cristão acolha estes nossos votos, alegre com a sua paz as terras sacudidas pelo ódio, e a todos nós, depois deste exílio, mostre a Jesus, que será na eternidade a nossa paz e alegria; a vós, veneráveis irmãos, e aos vossos rebanhos, concedemos de todo o coração a bênção apostólica, como penhor do auxílio de Deus onipotente e testemunho do nosso paternal afeto.

 

Dado em Roma, junto de São Pedro, na festa da maternidade de Nossa Senhora, no dia 11 de outubro do ano de 1954, XVI do nosso pontificado.

 

PIO PP. XII


Notas

(1) Cf. Const. apostólica Munificentissimus Deus: AAS 42(1950), p. 753ss.

(2) Cf. Carta enc. Fulgens corona.: AAS 45(1953), p. 577ss.

(3) Cf. AAS 38(1946), p. 264ss.

(4) Cf. L'Osservatore Romano, de 19 de maio, de 1946.

(5) Lc 1,32.

(6) Is 9,6.

(7) Ap 19,16.

(8) Cf. Lc 1,32-33.

(9) Lc 1,43.

(10) S. Ephraem. Hymni de B. Maria, ed. Th. J. Lamy, t. II, Mechiniae,1886 Hymn. XIX p. 624.

(11) Idem, Oratio and Ss.mam Dei Matrem; Opera omnia, Ed. Assemani, t. III (graece), Romae,1747, p. 546.

(12) S. Gregorio Naz., Poemata dogmatica, XVIII, v. 58: P G. XXXVII, 485.

(13) Prudêncio, Dittochoeum, XVII; PL 60,102A.

(14) Hom. ins. Lucam, hom. VII; ed. Rauer, Origenes Werke, t. IX, p. 48 (ex catem Macarii Chrysocephali). Cf. PG 13,1902 D.

(15) S. Jeronimo, Liber de nominibus hebraeis: PL 23, 886.

(16) S. Pedro Chrisólogo, Sermo 142, De Annuntiatlone B.M.V.: PL 52, 579 C; cf. também 582B; 584A: "Regina totius exstitit castitatis".

(17) Relatio Epiphanii Ep. Constantin.: PL 63, 498D.

(18) Encomium in Dormitionem Ss.mae Deiparae (inter opera s. Modesti): PG 86, 3306B.

(19) s. Andreas Cretensis, Homilia II  in Dormitionem Ss.mae Deiparae: PG 97, 1079B.

(20) Id., Homilla III  in Dormitionem Ss.mae Deiparae: I PG 98, 303A.

(21) S. Germano, In Praesentationem Ss.mae Deiparae, I: PG 98 303A.

(22) Id., In Praesentationem Ss.mae Deiparae, II: PG 98, 315C.

(23) S. João Damasceno, Homilia I in Dormitionem B.M.V: PG 96, 719A.

(24) Id., De fide orthodoxa, I, IV, c.14: PG 44,1158B.

(25) De laudibus Mariae (inter opera Venantii Fortunati): PL 88 282B e 283A. 

(26) Ildefonso Toledano, De virginitate perpetua B.M.V.: PL 96, 58AD.

(27) S. Martinho I, Epist. XIV PL 87,199-200A.

(28) S. Agatão: PL 87,1221A.

(29) Hardouin, Acta Conciliorum, IV, 234 e 238: PL LXXXIX89 508B.

(30) Xisto IV, Bulla Cum praeexcelsa, de 28 de Fevereiro de 1476.

(31) Bento XIV, Bulla Gloriosae Dominae, de 27 de setembro de 1748.

(32) S. Afonso, Le glorie di Maria, p. I, c. I, § 1.

(33) Da liturgia dos Armenos: na festa da Assunção, hino do Matutino.

(34) Ex Menaeo (bizantino): Domingo depois do Natal, no Cânon, no Matutino.

(35) Offício, hino Akátistos (no rito bizantino).

(36) Missale Aethiopicum, Anáfora Dominae noetrae Mariae, Matris Dei. 

(37) Brev. Rom., Versículo do sesto Respons.

(38) Festa da Assunção; hino ad Laudes.

(39) Ibidem, ao Magnificat, II Vésp.

(40) Lc 1, 32, 33.

(41) Ibid.1,43. 

(42) S. João Damas., De fide orthodoxa, 1. IV, c.14, PG 94,1158s.B. 

(43) 1 Pd 1, 18, 19.

(44) 1 Cor 6, 20.

(45) Pio XI, Carta enc. Quas primas: AAS 17(1925), p.599.

(46) Festa aeptem dolorum B. Mariae Virg., Tractus.

(47) Eadmero, De excellentia Virginis Mariae, c. 11: PL 159, 308AB.

(48) E Suárez, De mysteriis vitae Christi, disp. XXII, sect. II (ed. Vivès. XIX, 327).

(49) S. Ireneu, Adv. haer., V,19,1: PG 9,1175B.

(50) Pio XI, Epist. Auspicatus profecto: AAS 25(1933), p. 80.

(51). Pio XII, Carta enc. Mystici Corporis: AAS 35(1943), p. 247.

(52) S. Sofrônio, In Annuntiationem Beatae Mariae Virg.: PG 87, 3238D e 3242A.

(53) S. Germano, Hom. II in Dormitionem Beatae Mariae Virginis: PG 98, 354B.

(54) S. João Damas. Hom. I. in Dormitionem Beatae Mariae Virginis: PG 96, 715A.

(55) Pio IX, Bula Ineffabilis Deus: Acta Pii IX, I, p. 597-598.

(56) Ibid., p. 618.

(57) Leão XIII, Carta enc. Adiutricem populi: AAS 28(1895-96), p.130. 

(58) Pio X, Carta enc. Ad diem illum: AAS 36(1903-1904), p. 455.

(59) S. Tomás, Summa Theol., I, q. 25, a. 6, ad 4.

(60) Pio XII, Carta enc. Humani generis: AAS, 42(1950), p. 569.

(61) Do Brev. Rom.: Festa da Assunção de Maria virgem

(62)Cf. Gn 9, 13.

(63) Eccl. 43, 12-13.

 

 

 

 


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MATRIMÔNIO MÍSTICO E DIVINIZAÇÃO em
A VERDADEIRA VIDA EM DEUS

 

pela Irmã Seraphim Boyce

(veja também o artigo da Irmã Seraphim
Reconhecidamente Judaica)

Os escritos intitulados A Verdadeira Vida em Deus (AVVD) falam constantemente sobre a graça da divinização que Deus oferece ao mundo. Divinizar significa transformar humanos em deuses por participação na Divindade da Trindade.

Esse conceito pode espantar as pessoas, se elas não perceberem que se trata de uma expressão equivalente a receber a Vida Eterna. Trata-se da Vida Eterna de Deus, prometida por Cristo. O Evangelho e as cartas de São João estão repletos da promessa de Cristo. As cartas de São Pedro aludem a ela e as cartas que São Paulo escreveu as sete igrejas também estão repletas de referências a ela. Foi por isso que Cristo veio - para que possamos participar de Sua Vida Divina; para que possamos ser um com o Pai, assim como Cristo e o Pai são um. Ou seja, não apenas de modo semelhante, mas como Cristo e o Pai são um - uma união divina.

Somos chamados a ser filhos e filhas de Deus. Somos chamados a ser o Corpo de Cristo. Jesus Cristo é a Cabeça do Seu Corpo, a Igreja. O Corpo deve ser completamente um com sua Cabeça Divina. Aquilo que Jesus Cristo é por natureza, por ser o Filho de Deus, nós somos chamados a ser pela graça - cada um segundo o grau ou a capacidade que Deus tinha em mente para nós ao nos criar. Cabeça e Corpo divinizados com a Divina Vida Eterna de Deus, que nos foi dada em Jesus Cristo e reconquistada por meio de Sua vida e morte redentoras.

Devemos ser santos como nosso Deus é santo - não por coerção, mas pelo cumprimento voluntário do mandamento de Deus (cf. Lv 19,2 e Mt 5,48); não por dever, enquanto ação abstrata, mas por verdadeiro amor a Deus.

Só Deus é santo - "Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo, Jesus Cristo", recitamos todos os domingos e dias de festa. Ser santo como Deus é santo significa ser santo com a mesma santidade do próprio Deus. A santidade de Deus é transmitida e Deus se une a cada um, de modo que as faculdades da alma (memória, entendimento e vontade) estejam em perfeita união com o Pai, o Filho e Espírito Santo. Quando essa união é total, absoluta, completa, isso é divinização, nada mais, nada menos.

A completa união da alma com a Trindade é chamada Matrimônio Místico. Matrimônio Místico significa que o Santo, o Deus Trino, une a alma a Si, em perfeita fusão, enquanto a "esposa" conserva perfeita individualidade e livre arbítrio.

O Pai, em Seu Divino Poder, inere e une-se à memória, entendida como faculdade da alma. O Filho Eterno, em sua Divina Sabedoria, inere e une-se ao entendimento, entendido como faculdade da alma. O Espírito Santo, em Sua Divina Bondade, inere e une-se à vontade humana, entendida como faculdade da alma. Com a Presença Divina nas faculdades da alma, a pessoa pensa, age e fala apenas da forma como for instruída diretamente pelo Poder, pela Sabedoria e pela Bondade de Deus. A alma deixa de agir fora da influência da Luz Divina. Chamamos isso de "cristianização". Quem se encontra com uma pessoa divinizada descreve o encontro assim: "Foi como se eu estivesse falando com o próprio Jesus."

O Pai só pode habitar a memória se ela possuir esperança pura 1 . O Filho Eterno só pode habitar o entendimento se ele possuir fé pura 2 . O Espírito Santo só pode habitar a vontade humana se ela possuir caridade pura 3 . Em outras palavras: a esperança esvazia a memória, a fé esvazia o entendimento e a caridade esvazia a vontade. Essas três faculdades da alma têm de ser esvaziadas pelas virtudes teologais, pois estas transcendem a razão e a lógica humanas.

O modo de entender simplesmente humano, que usa os sentidos e a inteligência discursiva, deve ser transcendido antes que se possa estar preparado para a união com o Deus transcendente. Todos os meios devem ser apropriados para o seu fim: devem manifestar uma certa conformidade e semelhança com o fim. As ervilhas não cozinharão enquanto não atingirem a mesma temperatura da água quente. A lenha não queimará enquanto não atingir o mesmo grau de calor do fogo. Nada, nenhuma criatura, pode servir ao entendimento como um recurso adequado ao conhecimento de Deus. Nada do que o intelecto possa compreender, a vontade experimentar ou a imaginação conceber é similar ou apropriado para Deus.

As lacunas criadas pelas virtudes teologais da fé, esperança e caridade são mais próximas de Deus, no sentido de adaptarem as faculdades humanas para a participação no Deus transcendente. Elas elevam o homem acima de si mesmo, transformam-no e o dispõem a recuperar a plenitude da imagem e semelhança divinas, com as quais e para as quais ele foi criado.

O Catecismo da Igreja Católica, no nº 1.812, afirma: "As virtudes humanas se fundam nas virtudes teologais, que adaptam as faculdades do homem para participarem da natureza divina. Pois as virtudes teologais se referem diretamente a Deus. Dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade e têm a Deus Uno e Trino por origem, motivo e objeto."

As quatro virtudes cardeais também são infundidas em nós pelo Santo Batismo, juntamente com as três virtudes teologais. Essas sete virtudes, praticadas heroicamente, são as bases tanto para a beatificação quanto para a canonização. As virtudes cardeais são: fortaleza, temperança, justiça e prudência. Todas elas estarão plenamente ativas na alma divinizada.

A fortaleza auxilia nas paixões da esperança, desespero, medo, ousadia (coragem) e ira. Essas paixões vêm à tona quando há dificuldades em fazer o bem ou evitar o mal. A temperança auxilia nas paixões do amor, ódio, desejo, desgosto, prazer e tristeza (sofrimento). Estes se referem ao bem e ao mal sem nenhuma percepção de dificuldade. A justiça aperfeiçoa a vontade nas ações sociais do homem. Essas três virtudes cardeais são conduzidas pela quarta, a prudência, que brota do interior da caridade.

No Batismo todas as virtudes teologais e cardeais são infundidas em nossa alma pela Santíssima Trindade. Quando a caridade é a motivação de todas as nossas ações, essas virtudes são aperfeiçoadas pelos dons do Espírito Santo. Isto é, primeiro somos motivados pelo amor a Deus e, depois, pelo amor ao próximo como Deus nos ama (Jo 13, 34: "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei").

Os dons do Espírito Santo são ciência, inteligência, conselho, sabedoria, piedade, fortaleza e temor de Deus. O pecado, todo mínimo sinal de consentimento na vontade contrária à glória de Deus, seja ou não expresso exteriormente, anuvia a transparência da alma. Toda "nuvem" tem de ser expulsa, evaporada, para se restituir a transparência. Isso é realizado pela cooperação de nosso livre arbítrio com as virtudes. Os "vazios" criados pelas virtudes praticadas são exatamente essa "transparência" por meio da qual a Luz Divina habita em nós e, assim, nos diviniza. Tal divinização é possível a todos, e apenas o arrependimento sincero é necessário para abrir as comportas à graça para a caminhada começar.

Na Verdadeira Vida em Deus encontramos:

"Todas as almas às quais estou unido tornam-se noivas também, pois, no relacionamento íntimo que tenho com elas, Eu Me torno seu Noivo, todos os dias de sua vida. E assim será com você, se você se enamorar de Nós. Voluntariamente você se confiará a Mim e saboreará a plenitude do Meu Amor Divino. Desde seu nascimento, Eu ansiava por possuí-la e, enquanto a via crescer, Eu já estava, em segredo, celebrando nosso noivado. Eu correria para você ao primeiro sinal de arrependimento, Eu gritaria, batendo com Meu Cetro Real:

'Absolvida!'

e marcaria sua fronte com Meu ardente beijo batismal, perfumando todo o universo. Isso seria um sinal precursor de nossa celebração matrimonial, e Eu lhe ofereceria, como um dom do Meu Amor, uma coroa feita com as flores mais perfumadas.

Cada uma de suas pétalas representaria uma virtude. Só então você poderia dizer "eu vejo", querendo dizer realmente isso."

("Odes da Santíssima Trindade", em português, está incluída no vol. 12 de AVVD)

As mensagens de Jesus a Vassula Ryden prometem que cada um receberá uma teofania pessoal (Nota: teofania é uma visão de Deus, por símbolo ou visão intelectual ou espiritual). Isso será uma vinda da Santíssima Trindade, que funcionará tanto como um aviso relacionado ao nosso estado espiritual quanto como oferecimento da graça do arrependimento. O Pai, o Filho e o Espírito Santo serão percebidos através de uma graça de iluminação.

"Suas almas verão o que viram uma vez, naquela fração de segundo, no exato momento de sua criação...

Elas verão:
Aquele que as teve primeiro em Suas Mãos;
os Olhos que as viram primeiro.
Elas verão:
as Mãos dAquele que as formou
e as abençoou...
Elas verão:
o Mais Terno Pai, Seu Criador
todo revestido de temível esplendor,
o Primeiro e o Último,
Aquele que é, que era e
que há de vir,
o Onipotente,
o Alfa e o Omega:
o Soberano."
4

 

Isto é, nós vislumbraremos o Pai. Depois, também sentiremos, em nossa visão espiritual, a Luz do Espírito Santo trespassando-nos, a partir do olhar penetrante de Cristo, que também estará diante de nós. Nossa alma se tornará consciente de todos os acontecimentos de nossa vida, pois nossos olhos serão trespassados pelos olhos de Cristo, que serão como duas Chamas de Fogo (Nota: as chamas dos olhos de Cristo são o Espírito Santo - cf. Dn 10,6; Ap 1,14;5,6). Nosso coração recordará todos os nossos pecados (Ver AVVD, 15/9/1991, para mais detalhes sobre o Segundo Pentecostes). Veremos toda a verdade relativa a nosso estado espiritual diante de Deus, exatamente como Ele nos vê. Normalmente, essa é a visão que nos é dada no momento da morte, quando a alma é mergulhada na Divina Verdade e vê a realidade espiritual do mal em si e, conseqüentemente, seu justo julgamento.

Com essa experiência autêntica é oferecida a abundante graça do sincero e completo arrependimento. Como todos os nossos pecados são revelados (incluindo os que não admitimos, por nos termos habituado a eles e termos perdido o sentido de pecado com relação a eles), nossa contrição será um Ato de Contrição Perfeita. A Igreja Católica ensina que um Ato de Contrição Perfeita torna uma pessoa apta a entrar imediatamente no céu (ex. o bom ladrão no Calvário). Isso porque ele é santificante, sendo fruto direto da cooperação com o Espírito de Verdade, o Espírito de Santificação - o Espírito Santo.

Conseqüentemente, a contrição que resulta dessa teofania (também chamada o Segundo Pentecostes) torna a alma, após confissão sacramental, receptiva à direta plenitude da santidade, que, sendo completamente cultivada, leva rapidamente à divinização. Se não víssemos todos os nossos pecados, isso não seria possível, pois a contrição por apenas alguns pecados não-confessados que relembramos deixaria a impureza dos demais e impediria a divinização.

A santidade dada por Jesus neste momento é a grinalda da virtude, como prometida na mensagem citada. Ela tem que ser mantida e desenvolvida por uma vida de completa adesão ao Evangelho, em incessante metanóia e teosis, isto é, voltando-se totalmente para Deus e sendo conscientemente uma outra humanidade para o Verbo na terra. A santificação da alma como puro dom não dura, mas morre com o pecado. Contudo, a infusão da virtude, especialmente a virtude da contrição, torna possível um afastamento do desejo de cometer pecados mortais e mesmo pecados veniais deliberados; o pecado será eliminado da vida da pessoa, por opção.

O principal meio para manter o dom da santificação que leva à divinização da alma será a Santíssima Eucaristia, que vai conceder-nos plenamente sua Divindade. Essa concessão de divindade será facilitada pela perfeita conformidade da nossa vontade com a Vontade de Deus. Sem esse "canal", nem a Comunhão diária concede sua divindade inerente à alma, mas apenas as luzes e graças que nos ajudam a atingir tal conformidade e unidade de vontade com Deus.

Como foi mencionado antes, apenas a Luz Divina do Espírito Santo, que revela todos os nossos pecados, permite esse dom instantâneo de santidade, isto é, na medida em que aceitarmos completamente a graça do arrependimento. Não há nenhum "vácuo" na alma humana. Quando a vontade está totalmente voltada para Deus, ela é imediatamente preenchida por Deus, já que é a ação do Espírito Santo que realiza tal atração, quando aceitamos Sua graça. Então, instantaneamente, Cristo habita a alma. Cristo, ao tomar posse das almas no estado de Sincero Arrependimento, reside nelas, como prometeu (cf. Jo 14,23), por tanto tempo quanto a pessoa mantiver essa posse, pela virtude praticada por meio do Matrimônio Místico. Isso é conhecido como "Segunda Vinda" ou o "Reino de Cristo na terra": Ele reina, em Sua Divindade, na alma e dirige e orienta seus pensamentos, palavras e ações na bondade e virtude.

O Segundo Pentecostes e a Segunda Vinda são, portanto, dois aspectos da mesma teofania. Aquelas imagens simbólicas no Livro de Apocalipse indicam isso. A promessa do reinado milenar de Cristo (cf. Ap 20,6) contém o número bíblico que simboliza a eternidade divina. Assim, ele simplesmente significa que Cristo reinará, em Sua Divindade. Ele o fará reinando nas almas dos homens (ver artigo sobre O Reino de Mil Anos de Cristo).

A teofania profetizada na mensagem de AVVD em 15 de setembro de 1991 dura, em si mesma, apenas alguns momentos, pois é preciso apenas um flash da Luz Divina para nos revelar tudo. Os efeitos duram horas, dias ou semanas e, em alguns casos, levam a meses de pranto, com sincero arrependimento, sobre os pecados reconhecidos. Algumas pessoas que já receberam essa graça falaram do pranto por Cristo, dizendo que, no momento dessa iluminação, sentem a dor dEle pelos pecados que elas cometeram. Outros falam de uma suave ação da graça que durou muitas semanas e mostrou-lhes os pecados de suas vidas gradualmente no tempo e com menos dor.

A contrição provocada pela experiência do Segundo Pentecostes permanece na alma como um sentimento de pesar profundo e duradouro. É isso que possibilita que a alma evite todo pecado, com uma resolução muito firme e determinada de não querer pecar novamente. Quando o pecado exerce uma atração, essa sensação de pesar influencia a alma com um magnetismo sereno, suave, em oposição ao pecado. Assim, temos consciência de sermos agraciados com a pureza (se a aceitarmos). O primeiro mês ou mais de resistência ao pecado é o mais difícil, pois temos que apagar o hábito do pecado, mas temos esse auxílio interior; acreditamos que é verdade que com Deus tudo é possível - leopardos podem remover suas manchas, leões podem deitar junto aos cordeiros, o bebê de peito pode pôr sua mão na cova da serpente, ileso. Tudo isso se refere a realidades espirituais.

Como sabemos que uma teofania, uma luz do Espírito Santo numa visão do Pai e do Filho, pode realizar uma conversão, levando uma pessoa a mudar tão drasticamente, de modo a atingir a santidade e a divinização (Matrimônio Místico) em tão poucos anos? Como uma teofania pode dar a uma pessoa, em dez anos, aquela santidade de vida que de outros requer uma vida inteira? Há duas respostas. A primeira é óbvia: a própria Vassula transmite a mensagem de que o Espírito Santo vai nos elevar, de corpos espirituais carcomidos pela corrupção e caídos num deserto de pecado, e vai nos conceder as Núpcias Espirituais da divinização. A própria vida dela dá testemunho exatamente dessa mensagem. Resumindo, ela é um sinal da mensagem que prega (cf. AVVD 18.10.1987). A segunda resposta é que sabemos dessa possibilidade porque esses tipos de conversão são encontrados em testemunhos de outros e foram escritos e preservados na Igreja na vida de muitos santos. O rápido vôo do pecado à santidade é visto especialmente nos santos que tiveram vida muito curta. Essas vidas breves são para nos revelar a possibilidade e o poder de Deus de realizar essa transformação em qualquer um, em qualquer idade. Alguns são tentados ao desespero devido à idade avançada, mas Deus pode fazê-lo. Então eles também testemunham a veracidade da mensagem central da Verdadeira Vida em Deus.

Em si mesma, a graça do Segundo Pentecostes não é nova. A única razão pela qual ela é considerada sem igual em nossa era é a universalidade de sua vinda. Do mesmo modo, a divinização de indivíduos não é novidade. Alguns dos primeiros escritores cristãos escreveram sobre ela e a Igreja Ortodoxa conservou o uso da palavra, bem como a espiritualidade do arrependimento e da divinização, santidade e santo pesar. Na Igreja Católica nos foi transmitido o nome Matrimônio Místico para o estado de divinização, por isso somos mais familiarizados com essa terminologia no Ocidente.

Cristo reinou, em Sua divindade, em inúmeras miríades de almas na terra, desde o início do cristianismo. Na Igreja primitiva, o nome "Vida Eterna" (como no Evangelho e nas Epístolas) foi dado para a realidade fundamental de receber a própria Vida Eterna de Deus, que nos faz participantes da natureza divina (2Pd 1,4). A razão para a singularidade da teofania do Segundo Pentecostes/Segunda Vinda reside não na sua natureza, mas em sua universalidade. Aquilo que foi recebido no passado por uma minoria será recebido pela maioria. Nunca, anteriormente, os membros da Igreja estiveram todos sem pecado. É por isso que esse acontecimento será diferente. Apenas em Maria, aos pés da Cruz, na morte de Cristo, toda a Igreja estava imaculada, sem manchas nem rugas, e completamente pura na fé.

A pureza é fruto direto da cooperação com a ação santificante do Espírito Santo. A divinização, ou matrimônio místico, significa que o Pai, o Filho e o Espírito Santo tomam posse das três faculdades da alma (como vimos anteriormente). Como a vontade humana permite que Deus habite nelas completamente, a pessoa quer somente o que Deus quer. Conseqüentemente, o pecado é eliminado. O Novo Éden de que Jesus fala com Vassula na AVVD é realmente o Jardim do Éden: pureza na aurora imaculada da criação. Mas não se trata de um lugar. Ele está na alma do homem. Nós estaremos na Nova Jerusalém, que é a Igreja. Nós vamos tomar parte no matrimônio místico com o Cordeiro - mas tudo isso acontece no interior da pessoa que recebe o Segundo Pentecostes, arrepende-se e vive todas as virtudes e o Santo Evangelho. Em poucas palavras, da pessoa que se torna um outro Jesus pela graça, como Jesus o foi por natureza. Adão, no Éden, é chamado por São Lucas de "o Filho de Deus" (Lc 3,38). Falando sobre a Lei do Antigo Testamento, São Paulo escreve aos gálatas: "Chegada, porém, a fé, não estamos mais sob pedagogo; vós todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus" (3,25-26).

No contexto deste artigo, "fé" não se refere ao fato de acreditarmos que existe um Deus, mas de colocarmos em Deus a nossa fé. Muitos crêem que existe um Deus, mas poucos realmente colocam sua fé nEle. Colocar nossa fé nEle significa acreditar realmente em tudo o que Ele prometeu fazer por nós, coletiva e individualmente. Portanto, agiremos em total abandono à vontade de Deus, com confiante gratidão. Nós realmente acreditamos que tudo de bom ou mal que nos acontece vem de nosso Pai amoroso, para nosso bem espiritual. Isso é fé em Deus. A teofania de Ezequiel, na qual ele viu um bronze incandescente no meio da nuvem (cf. Ez1,4), prefigura o corpo de Cristo ardendo na fornalha do sofrimento (Jesus: pés de bronze incandescente - Ap 1,15). Na divinização, experimentamos a Cruz na terra: sofrimento no centro da divinização. Tornamo-nos bronze incandescente no centro da nuvem da Divindade.

A fim de preparar para o matrimônio místico, Vassula defende a simples teose [N.T.:Divinização ou deificação] - "nós, nos": Fazemos, conscientemente, todas as coisas junto com Jesus, convidando-O a realizar todas as ações humanas do dia-a-dia conosco e por meio de nós. Isso produz a oração incessante e a eliminação de todo pecado, pois, diante da presença de Jesus, nós só permitimos, em nosso ambiente de casa, trabalho ou entretenimento, aquilo que não é pecado. Isso traz muitas formas de sofrimento.

A divinização e o matrimônio místico não são possíveis sem o pleno conhecimento e arrependimento de tudo o que é pecado em nós, ainda que estejamos vivendo uma vida aparentemente boa. O reconhecimento do pecado oculto - nos mais profundos níveis de apego da nossa vontade aos pecados não admitidos - só é possível por meio de uma infusão de Luz Divina. Mesmo agora, a revelação de nosso pecado é geralmente a presença oculta do Espírito Santo brilhando em nós: só quando a luz brilha é que podemos ver o que precisa ser limpo. Tal graça do Espírito Santo para nossa conversão inicial é necessária durante a vida - a história dos santos mostra isso (ver adiante). Como a teofania prometida revela todo pecado, o sofrimento pode ser demais para alguns. Precisamos nos preparar para isso, vivendo santamente, por meio da teosis "nós, nos".

Santa Clara escolheu uma vida de severa penitência porque, como disse em seu testamento: "o Altíssimo iluminou meu coração para fazer penitência". Em seu leito de morte, ela só conseguia falar às irmãs sobre as sublimes verdades referentes à Santíssima Trindade em sua alma.

Tendo sido iluminado, São Francisco de Assis decidiu-se por uma vida de pobreza e vivência do Evangelho; contudo, ele também precisou que o Espírito Santo revelasse profundas verdades sobre si mesmo. "Quem és Tu e o que sou eu?", ele orou. Quando Frei Leão perguntou o que ele queria dizer com essa oração, Francisco respondeu: "Duas luzes foram reveladas à minha alma: uma do conhecimento de mim mesmo... Vi as amargas profundezas de minha própria maldade e miséria..." 5 .

Santa Faustina escreve em seu Diário: "Hoje o olhar do Senhor trespassou-me brevemente. De repente, eu tomei consciência dos mínimos detalhes da minha alma e, conhecendo a profundidade da minha miséria, caí de joelhos e implorei o perdão de Deus e, com grande confiança, mergulhei em Sua Infinita Misericórdia" 6 .

Santa Catarina de Gênova "experimentou um amor por Deus tão repentino e forte e uma sensação de contrição por seus pecados tão penetrante que quase desmaiou. Em seu coração, ela disse: 'Chega de mundo para mim! Chega de pecado!' Ela ficou reclusa em casa por vários dias, absorvida numa profunda consciência de sua própria miséria e da Misericórdia de Deus" 7 .

Santa Gertrudes escreveu: "Após a infusão de Tua dulcíssima luz, vi muitas coisas em meu coração que ofenderam Tua pureza e até percebi que todo meu interior estava numa tal desordem e confusão que Tu não poderias habitar nele... quando reflito sobre o tipo de vida que levei anteriormente e que levava até agora, declaro em verdade que isso é pura ação de Tua graça, que me concedeste sem nenhum mérito meu. Tu me deste, a partir de agora, um conhecimento mais claro de Ti mesmo, que foi tal que a doçura de Teu amor leva-me a corrigir minhas faltas muito mais do que o medo dos castigos com que Tua justa ira me tratou." Após essa graça, Santa Gertrudes passou a discernir a presença da Trindade em seu interior. 8

De Santa Brígida da Suécia nós lemos: "Quando seu marido morreu, ela experimentou a profunda transformação de seu ser na noiva de Cristo" 9 .

Todos esses santos que passaram pela experiência do Segundo Pentecostes foram também fiéis à completa renúncia do pecado e à prática da virtude. Assim, cada um deles chegou muito depressa à experiência da divinização ou matrimônio místico. A graça pode ser oferecida, mas se desenvolve com a prática da fé, esperança e caridade. O Segundo Pentecostes não é uma "varinha mágica" que transforma instantaneamente a alma num santo, mas dá aquela graça muito profunda de contrição que dá início ao rápido vôo em direção à plenitude do matrimônio místico e divinização.

(A autora deste artigo nota que quem jejua a pão e água uma vez por semana faz esse rápido progresso na vida espiritual, mas não sabe particularmente por quê.)

Temos uma rica tradição histórica dos Padres e Doutores da Igreja que escreveram sobre divinização e matrimônio místico, então vamos consultar alguns deles e começar com uma pergunta.

Quando uma pessoa é divinizada, ela vivencia isso conscientemente? Sim. Essa é a diferença entre a vida divina dada no batismo e o matrimônio místico. Poulain, em sua grande obra As Graças da Oração Interior, escreve: "O batismo e a graça santificante já nos dão essa participação na natureza divina, mas trata-se de um estado inconsciente. No matrimônio místico é o contrário. Estamos então conscientes da comunicação da vida divina. Deus não é mais meramente o objeto dos processos sobrenaturais da mente e da vontade, como no grau anterior. Ele se mostra como sendo a origem comum a esses processos, o auxílio do qual nos servimos para produzi-los. Nossas ações nos parecem como sendo, de certo modo, divinas. Nossas faculdades são os ramos nos quais sentimos a circulação da seiva divina. Acreditamos sentir Deus em nós, vivendo por nós e por Ele. Nós vivemos nEle, com Ele e por meio dEle. Nenhuma criatura pode se manifestar a nós desta maneira.

No Céu, o mecanismo da graça vai aparecer em toda sua clareza; veremos, assim, desvelado o 'casamento' de dois processos, o divino e o humano, e até mesmo a predominância do primeiro, nossa 'divinização', em outras palavras. O quarto e último grau de oração é a antecipação, o antegozo mais ou menos notável desse conhecimento experimental. Nos graus mais baixos, a transformação começou, mas sabemos disso apenas pela fé." 10

Santo Afonso de Ligório resume essa linguagem dizendo: "No matrimônio místico, a alma é transformada em Deus e se torna um com Ele, exatamente como um vaso de água, quando derramado no mar, é um com ele." 11

Santa Teresa de Ávila, em "O Castelo Interior", escreveu: "Além disso, essa companhia de que ela desfruta lhe dá muito mais força do que nunca. Se, como Davi diz, 'Com o santo tu deves ser santo', sem dúvida, ao se tornar um com o Onipotente, pela união de espírito com espírito, a alma deve adquirir força, como sabemos que os santos adquiriram, para sofrer e morrer..." 12

Qualquer que seja o ponto de vista adotado, este, de toda forma, é o caso em que parece à alma não conseguir mais pecar, tão plenamente ela se sente participante da vida de Deus. Isso não a impede de ver muito claramente, ao mesmo tempo, que por si mesma ela é capaz de toda sorte de pecados. Ela vê o abismo no qual pode cair e a poderosa Mão que a sustém. 13

Poulain cita o que São João da Cruz escreveu em "A Subida do Monte Carmelo": "Logo que a alma se disponha (...) fica transformada naquele que lhe comunica o ser sobrenatural, de tal maneira que parece o mesmo Deus, e tem em si mesma tudo o que Deus tem. Esta união se realiza quando o Senhor faz à alma esta sobrenatural mercê, por meio da qual todas as coisas divinas e a alma se unificam por transformação participante: a alma, então, mais parece Deus que ela mesma, e se torna Deus por participação, embora conserve seu ser natural, tão distinto de Deus quanto antes, nessa atual transformação; assim como o vidro continua sempre distinto do raio que nele reverbera." 14

E novamente:

São João da Cruz também escreve, com relação ao matrimônio místico, em "Cântico Espiritual": "É, sem comparação alguma, muito mais elevada esta união do matrimônio do que a do desposório [equivale ao "noivado"] espiritual. Trata-se de uma transformação total no Amado; nela se entregam ambas as partes por inteira posse de uma a outra, com certa consumação de união de amor, em que a alma é feita toda divina, e se torna Deus por participação, tanto quanto é possível nesta vida. Por isso, penso, jamais a alma chega a esse estado sem que esteja confirmada em graça, porque nele se confirma a fidelidade de ambas as partes, e, conseqüentemente, a de Deus na alma. 15 "

Poulain também cita São João da Cruz com relação à aspiração de Deus na alma, que partilha a mesma aspiração do próprio Deus na Trindade. O texto é muito extenso para ser transcrito aqui, mas os efeitos podem ser citados: "Se Deus, de fato, lhe concede a graça de ser unida à Santíssima Trindade, tornando-se a alma assim deiforme e Deus por participação, como podemos achar incrível que ela tenha em Deus todo o seu agir, quanto ao entendimento, notícia e amor, ou, dizendo melhor, sejam as suas operações todas feitas na Santíssima Trindade, juntamente com ela, como a mesma Santíssima Trindade?" 16

A venerável Anne-Madeleine de Remuzat registrou, sete anos antes de sua morte (aos 26 anos), o seguinte: "Encontrei-me repentinamente na presença das Três adoráveis Pessoas da Trindade... Compreendi que Nosso Senhor queria me dar um conhecimento de Seu Pai e de Si Mesmo infinitamente mais completo do que tudo o que eu conhecera até aquele dia... Quão admiráveis eram os segredos que me foram revelados neste adorável Coração e por meio dele!... Meu Deus, Tu quiseste divinizar minha alma, por assim dizer, transformando-a em Ti mesmo, após ter destruído sua forma específica..." 17

Em sua obra "Vie", Pe. Prévot escreve, referindo-se à Madre Verônica do Coração de Jesus, fundadora das Irmãs Vítimas do Sagrado Coração: "A forma mais perfeita de sua união era um tipo de co-incorporação de todo o seu ser pela Divindade, de modo que ela sentia o próprio Deus pensar, falar e agir nela e tornar-se a razão de todos os seus movimentos" 18

Podemos ver claramente que a teose nos prepara para o matrimônio místico. (Teose significa pedir conscientemente a Jesus que realize todas as ações em nós e por meio de nós. Nós nunca dizemos "eu vou fazer compras, eu deixo você em casa, eu vou preparar o jantar agora", sem acrescentar interiormente: "Jesus, nós vamos sair... dirigir... preparar o jantar." Os efeitos disso já foram mencionados neste artigo.)

Mais recentemente, Santa Dina Bélanger, que morreu aos 33 anos, em 1929, vivenciou o que chamava de Divina Substituição de Jesus pelo seu ser. Ela explicou que era como se somente Jesus pensasse, agisse e falasse nela o tempo todo. Além disso, ela percebia parte dela no Céu, participando, pela oração, de todos os bens e graças da Santíssima Trindade disponíveis.

Toda sua vida exemplifica com detalhes o significado do matrimônio místico e da divinização, bem como a união cada vez mais profunda com a Trindade, que revela continuamente novas maravilhas, totalmente espirituais. Assim como todos os que são divinizados, ela ansiava por manter e aumentar seu amor e sua fidelidade a Deus e com Deus. Ela o fez por meio da Santa Eucaristia. Em sua autobiografia, ela escreve:

"Meu corpo continua a viver nesta terra sombria e distante, que eu já não habito; ele continua a agir por meio da ação e da vontade de Jesus. Minha alma, pacificada, consumida, foi absorvida pelo Eterno, no céu... Por meio de Nosso Senhor, substituído pelo meu ser aniquilado nele, tenho à minha disposição as riquezas do Infinito. Não só em meu nome, mas em nome de todas as criaturas racionais, eu tenho que devolver amor por amor e oferecer Amor infinito em resposta ao Amor eterno da Trindade divina... Em uma alma elevada até Jesus, a Santa Comunhão é o transbordamento do Infinito no Infinito, é a satisfação da Perfeição soberana na Beleza suprema, é o dom do Eterno ao Incriado; é o abraço entre Deus Pai e seu Verbo, emanando no Espírito de Amor uma onda de amor que passa entre as três adoráveis Pessoas, uma explosão de ternura do Coração da Unidade indivisível... Se ao menos soubéssemos quanto o entendimento à luz da eternidade difere do entendimento na obscuridade temporal!... Se as almas ao menos percebessem que Tesouro possuem na divina Eucaristia, os sacrários teriam que ser protegidos por muralhas indestrutíveis; pois, sob a influência de um santo e ardente desejo, elas iriam por iniciativa própria alimentar-se do Maná do serafim; dia e noite as igrejas estariam transbordando de adoradores consumidos de amor pelo augusto Prisioneiro." 19

A Autobiografia de Santa Dina Bélanger contém relatos da Luz Divina que revelou as profundezas de sua miséria, descrições minuciosamente detalhadas de sua Divina Substituição por Jesus e as visões que teve interiormente de estar na Santíssima Trindade. Ela poderia ser chamada um dos protótipos que exemplificam os ensinamentos sobre o matrimônio místico/divinização que está sendo oferecido a toda esta geração, ainda que seja necessária, e será necessária, a intervenção direta de Deus numa teofania pessoal para cada indivíduo. A possibilidade da liturgia vernácula e do maior acesso à Palavra de Deus após o Concílio Vaticano II foi oferecida para ajudar as pessoas a reconhecer que todos na Igreja são chamados à santidade pessoal. Estávamos sendo preparados para esta Era de "Nova e Divina Santidade", assim chamada pelo Papa João Paulo II 20 .

Quando Deus ergue profetas para nos revelar os desejos de Seu Coração, Ele também envia precursores ou modelos de Sua mensagem: nada acontece sem mais nem menos, nada é totalmente desconhecido. Vassula Ryden não prega nenhuma mensagem nova sobre arrependimento e divinização ou matrimônio místico. A Igreja é nupcial, esponsorial, pura, divinizada: essa afirmação poderia ser confirmada com referência a séculos de ensinamentos dos Padres, Doutores e Santos da Igreja, e o ensinamento pode ser indicado para desenvolver as próprias Escrituras e pode ser sustentado por elas. Como vemos, ele sempre existiu, mas, apesar de 2 mil anos de Cristianismo, nunca antes aconteceu de todos os batizados participarem simultaneamente da plenitude da santidade oferecida pela própria Igreja. No exato momento em que a apostasia do naturalismo e racionalismo parece estar tomando conta da Igreja e criando nela uma pseudo-igreja de cadáveres espirituais num deserto espiritual, Deus vai abrir a porta do sepulcro de nosso mundo e o Espírito Santo vai ressuscitar a Igreja, por meio do arrependimento e da santidade. Isso tem que acontecer num tempo em que tudo parece perdido, pois essa é a via de Deus, como revelado nas Sagradas Escrituras, para que fique claro que se trata de obra Sua.

Vinde, Espírito Santo, vinde pela poderosa intercessão
do Imaculado Coração de Maria, Vossa amadíssima Esposa.
O Espírito e a Esposa dizem "Vinde".
Amém.
Vinde, Senhor Jesus.

 

BIBLIOGRAFIA

Autobiography of Dina Bélanger. pub.Les Religieuses de Jésus-Maria. 2049, chemin Saint-Louis, Sillery (Quebec) Cananda. GIT 1P2. ISBN 2-980 4106-3-2

Catherine of Genoa. Purgation and Purgatory, The Spiritual Dialogue. The Classics of Western Spirituality. SPCK. Holy Trinity Church, Marylebone Road, London, NW1 4DU. ISBN 0281 03709 4

The Life of Saint Birgitta of Sweden, Patroness of Europe. (Livro limitado estritamente ao uso privado - não é vendido)

Birgitta of Sweden Life and selected revelations The Classics of Western Spirituality. ISBN 0 - 8091 - 3139-0

Divine Mercy in My Soul. The Diary of Sister M Faustina Kowalska. Divine Mercy Publications. P.O, Box 2005. Dublin 13, Ireland. ISBN 1 87227 00 8

The Life and Revelations of St Gertrude - Virgin and Abbess of the Order of St.Benedict. A Powerful Work From the Middle Ages on Union with Christ. Christian Classics, Inc. Post Office Box 30, Westminster, Maryland, 21157. USA ISBN 0 - 87061-079-1

The Graces of Interior Prayer. R.P. Poulain S.J. translated from the sixth edition . Kegan Paul, Trench, Trubner & Co., Ltd. Dryden House, Gerrard Street,W. Published 1910.


1 cf. São João da Cruz. A Subida do Monte Carmelo 3:1-15
2 cf. ibidem 3:8-32
3 cf. ibidem 3:16-45
4 AVVD 15/9/1991
5 Fioretti, 3ª Consideração sobre os Estigmas
6 852
7 Catarina de Gênova. Classics of Western Spirituality
8 Revelações de Santa Gertrudes 2:2,3
9 Brígida da Suécia. Classics of Western Spirituality
10 XIX:13. p.288
11 ibidem. XIX:14
12 ibidem. Sétima Morada: ii:13
13 Poulain. p. 291
14 Livro 2,V
15 Canção XXII, linha 1
16 ibidem. Canção XXXIX: linha 1
17 Poulain p. 296
18 ibidem p. 298
19 p. 230-231
20 L'Osservatore Romano 9/7/1997

Continuação do artigo em espanhol "Desposorio espiritual"

La tradición del d. e. enraizada en la Biblia pervive a través de la literatura mística cristiana, se encarna en las vidas de los santos, y es tema abordado por los escritores de Teología espiritual. De los tres aspectos se pueden aducir numerosos ejemplos. En S. Agustín (Enarrationes in Psalmos, 44: PL 36,494-495) encontramos intuitivas resonancias; en S. Bernardo el lenguaje de amor es audaz; Juan de Ruysbroeck (1293-1381; v.) edifica su obra maestra (De ornatu spiritualium nuptiarum, en Oeuvres, III, 2 ed. Bruselas 1928), partiendo del bíblico clamoreo: ¡Ahí está el esposo, salid a su encuentro! (Mt 25,6). El Esposo es Cristo, dice Ruysbroeck, y la esposa, la naturaleza humana, adornada con la gracia y los dones. El influjo de este libro de Ruysbroeck fue inmediato y duradero: Dionisio el Cartujano (m. 1471), Enrique Herp (m. 1477), etc.
     
      Estructura. Prescindiendo de las autobiografías e incluso de la exposición que de él hacen los manuales de Teología Espiritual, vamos a ver la estructura de ese extraordinario fenómeno, tal como la dibuja S. Juan de la Cruz.
     
      Siendo el Desposorio místico una de las fases postreras del proceso de unión con Dios (la vida mística es producto del amor teologal, es decir, desarrollo en plenitud de la caridad), resulta lógico que S. Juan de la Cruz (v.), que ha convertido en eje de su sistema la «unión de amor», aborde el tema en el comentario a las estrofas del Cántico Espiritual. La base la puso en la Subida; toques últimos da en Llama de amor viva. Pero donde trata ex profeso la cuestión es en el Cántico, tan acorde al motivo del Cantar de los Cantares, tan personal en la fuerza lírica y en el esquema ideológico. Lo que nos interesa ahora, sin embargo, no es el valor poético, sino la profundidad descriptiva; es decir, ver cómo S. Juan encuadra y analiza el d. e. en el marco de la psicología sobrenatural. El d. es una etapa del itinerario del alma. Etapa de subida, de montaña, de sol y fuego. Es una fase de un proceso fenomenológico de «transformación en el Amado». Los sanjuanistas sugieren ante el problema de la doble redacción del Cántico, que la segunda es un esfuerzo de adaptación doctrinal de la redacción primera, en la que al fluir poético no se impone más ley que la espontaneidad.
     
      El esquema, pues, del Cántico, encajándose en el esquema-base de la vida espiritual, ofrece tres etapas sucesivas: 1) búsqueda del Amado, cuando el alma tiene «el corazón bien enamorado», «vacío, hambriento, solo, llagado, doliente de amor» (Cántico, 9,6); 2) encuentro, o sea, el desposorio; y 3) el matrimonio.
     
      Un fondo común se adivina en este esquema cuando se compara con el esquema de las Noches o de la Llama. Las tres fases se hallan esencialmente en los otros libros, si bien el Cántico, por su misma índole, analiza con más morosidad la segunda y la tercera. Correspondencia, pues, de las «noches» con los esquemas tradicionales de las vías o de los estados: purgativa, iluminativa, unitiva; incipientes, proficientes, perfectos (v. VÍAS DE LA VIDA INTERIOR). Y correlatividad u homogeneidad entre noche pasiva del espíritu y d. e. La meta de las noches es un «alto estado de amor y unión de amor, en que, después de mucho ejercicio espiritual, suele Dios poner al alma, al cual llaman desposorio espiritual con el Verbo Hijo de Dios» (Cántico, 14-15,2). El d. e. es, por tanto, el fin de la noche pasiva del espíritu (v. PURIFICACIÓN III), el último instante de la vida iluminativa (v.).
     
      El d. e. se realiza con un ritual solemne:«Sí de amor», «entero y verdadero» (Cántico, 20-21,2); «sí de gracia». La esencia, con todo, del acto, está marcada por un carácter de fugacidad. La visita es rápida; el alma, al salir del éxtasis (v.), se halla en un clima espiritual nuevo, prometida, visitada, con «un conocimiento de Dios nuevo» (Cántico, 14-15,23), mas también en un estado de espera, de amor impaciente, de ausencia (v. ARIDEZ ESPIRITUAL). Un texto de S. Juan de la Cruz, en que alude de pasada a la situación mística del d., sintetiza y reduce la estructura a sus líneas esenciales: «Viene bien notar la diferencia que hay entre tener a Dios por gracia en sí solamente, y tenerle también por unión, que lo uno es bien quererse, y lo otro es también comunicarse, que es tanta la diferencia como la que hay entre el desposorio y el matrimonio; porque en el desposorio sólo hay un igualado sí y una sola voluntad de ambas partes y joyas y ornato de desposada, que se las da graciosamente el desposado; mas en el matrimonio hay también comunicación de las personas y unión» (Llama, 3,24). En esta situación de espera, el alma recibe «otras disposiciones positivas de Dios, de sus visitas y dones, en que la va más purificando y hermoseando» para «tan alta unión». Para el matrimonio.
     
      Crítica. Se ha criticado en general, como lo hace J. Leuba, el simbolismo erótico de los místicos. La escuela de Freud (v.) y los psicoanalistas irán aún más lejos, explicándolo todo por la hipótesis de las frustraciones o compensaciones sexuales. En concreto, J. Baruzi, entusiasta del símbolo «noche», enjuicia peyorativamente como un «pseudo-simbolismo» el Desposorio o el Matrimonio. Las críticas son tan superficiales que resbalan por la superficie; tan miopes, que no ven, bajo la superficie alegórica, la honda, dinámica y sobrenaturalizante realidad de la gracia y de la caridad. Sólo a la luz de la fe se comprende el misterio de la «deificación» del hombre.
     
      V. t.: FENÓMENOS MÍSTICOS EXTRAORDINARIOS;MÍSTICA II.
     

BIBL.: L. BEIRNAERT, La signilication du symbolisme conjugal dans la vie mystique, «Études Carmelitaines» 31 (1952) 380-389: EUGENIO DE SAN José, El desposorio espiritual en la mística de San Juan de la Cruz, «Mensajero de Santa Teresa» 7 (1929) 309320; L. ZABALZA, El desposorio espiritual según San Juan de la Cruz, Burgos 1964.

 

Escrevi um e-mail a minha sobrinha Luciana comentando sobre o Butão, país que é muito belo e que ela iria gostar; ela respondeu dizendo que iria pesquisar sobre o Butão; então eu respondi a ela e sem querer fiz uma profunda reflexão sobre o amor e Deus e resolvi compartilhar aqui porque essa contemplação bem espontânea quem sabe  pode ser útil para a reflexão de mais almas buscadoras...tomei como inspiração belas imagens do Rei e a Rainha do Butão e seu belo amor, tão romântico, tão terno e inspirador, são figura do anseio do coração humano por dignidade em todos os sentidos. Uma dignidade cuja intuição vem do mistério de Deus na alma.

Encontro neste casal real, que tomo como exemplo ilustrativo,  uma confirmação espontânea daquilo que todos intuimos como autêntico da parte mais nobre da Criação. O fato de serem budistas de berço não muda a realidade que fala independentemente por si mesma. Neste jovem e nesta jovem se desvela a busca de algo maravilhoso que todos intuimos, busca essa também no Budismo e que se faz tão cativante, tão forte nas imagens que compartilham publicamente de si, de seu belo amor com a renúncia espontânea do Rei ao direito de ter concubinas, para amar fiel e devotadamente a sua única esposa e Rainha. Que lindo!! Que grande amor! Como diz São Paulo em Romanos 2, há quem não sendo batizado em Cristo que no entanto faz o que é bom aos olhos de Deus e isso será tomado em conta por Ele.

Mais um e-mail em que expresso mais ou menos o que tenho entendido ultimamente

Nas minhas reflexões pessoais tenho pensado que a origem dos Sacramentos da Igreja de Cristo que subsiste na Igreja Católica Apostólica Romana, está no drama do Éden que chamo primeiro Gênesis.

Todos os pecados ali cometidos e que se repentem incessantemente ao longo da história com multiplas formas, em virtude da Encarnação do Verbo de Deus, Jesus Cristo, por Sua Paixão e Morte de Cruz, são redimidos e sanados pelos Sacramentos de Sua Igreja.

Deus nada faz que não seja lógico e necessário.

Deus não é um ditador despótico.

Deus, Uno e Trino, não é corrupto.

Deus é o Inteligente dos inteligentes, o Amor do amor, tudo que nos coloca como Mandamentos são absolutamente remédio preventivo e curativo...

É preciso pensar e sentir, honestamente.

Com boa vontade e ajuda de Deus a verdade se revela na lógica perfeita de toda Criação.

Os nécios [de todo tipo] complicam e obscurecem o que é simples e claro...

 

(comtinuarei essa meditação)

Excelente !!

Comentário do dia:

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
Homilias sobre o Cântico dos Cânticos, n.º 84, 1.5

«Chamou à sua presença aqueles que entendeu […], para andarem com Ele»

 

«Toda a noite procurei aquele que o meu coração ama» (Ct 3,1). Quão grande é o bem de procurar a Deus ! Pela minha parte, penso mesmo que não há bem maior. Sendo o primeiro dos dons de Deus, este é também a última etapa. É dom que não se acrescenta a qualquer outra virtude, porque nenhuma lhe é anterior. Pois que virtude poderíamos atribuir àquele que não procura a Deus, e que limite poderíamos pôr à procura de Deus? «Buscai sempre a sua face», diz um salmo (104,4). Creio que, mesmo quando O tivermos encontrado, não cessaremos de O procurar.

Não é a percorrer muitos lugares que procuramos a Deus, mas a desejá-lo. Porque a felicidade de O termos encontrado não apaga o desejo mas, pelo contrário, fá-lo crescer. A consumpção da alegria […] é como azeite no fogo, pois o desejo é uma chama. A alegria será completa (Jo 15,11) mas o desejo não terá fim, nem, portanto, terá fim a procura.

Que cada alma que procura a Deus saiba, porém, que Deus Se lhe antecipou, pois a procurou antes de ela se ter posto a procurá-lo. […] É a isto que vos chama a bondade daquele que Se vos antecipa, esse que, antes de todos, vos procurou, e antes de todos vos amou. Portanto, se não tivésseis sido primeiro procurados, de maneira alguma O procuraríeis; se não tivésseis sido primeiro amados por Ele, de maneira alguma O amaríeis. Não fostes antecipados por uma só graça, mas por duas: pelo amor e pela procura. O amor é a causa da procura; a procura é o fruto do amor, e é também a prova deste. Por causa do amor não temeis ser procurados. E porque fostes procurados não vos queixareis de ser amados em vão.

Comentário do dia:

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Comentário sobre o Cântico dos cânticos, II, 4, 17s

«E começou a ensinar-lhes muitas coisas»

 

«Diz-me, ó amado do meu coração», pede a esposa do Cântico dos Cânticos, «onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes repousar ao meio-dia» (1,7). Penso que, no salmo 22, também o profeta, colocado à guarda do mesmo pastor, fala sob o local de que falava a esposa, quando diz: «O Senhor é meu pastor; nada me faltará» (v. 1). Ele sabia que os outros pastores, sob o efeito da preguiça ou da inexperiência, apascentavam os seus rebanhos em locais mais áridos. É por isso que diz do Senhor, o pastor perfeito: «Em prados verdejantes Ele me faz repousar. Conduz-me às águas refrescantes» (v. 2). Mostra assim que este pastor dá às suas ovelhas águas, não apenas abundantes, mas também sãs e puras, que as dessedentam perfeitamente. [...]

Esta primeira formação dada pelo pastor é a dos inícios; a continuação diz respeito aos progressos e à perfeição. Acabámos de falar de pastagens e de verdura. Vejamos isto nos Evangelhos. Aí descobri este bom pastor a falar das pastagens das ovelhas; Ele diz que é o pastor, mas também a porta: «Se alguém entrar por Mim, salvar-se-á; entrará e sairá e achará pastagens» (Jo 10,9). É por conseguinte a Ele que a esposa questiona. [...] Ela chama «meio-dia» aos lugares secretos do coração onde a alma obtém do Verbo de Deus uma luz brilhante de ciência. Essa é, com efeito, a hora em que o sol atinge o ponto mais alto do seu percurso. Portanto, quando Cristo, «Sol de justiça» (Mal 3,20), manifesta à sua Igreja os sublimes segredos das suas virtudes, está a mostrar-lhe pastagens agradáveis e locais onde repousar ao meio-dia.

Porque quando ela ainda está no começo da sua instrução e apenas recebe dele os primeiros inícios do conhecimento, o profeta diz: «Deus socorrê-la-á de manhã, ao nascer do dia» (Sl 45,6). Mas, quando procura bens mais perfeitos e deseja realidades superiores, ela pede a luz do conhecimento ao meio-dia.